O ELEFANTE DA CULPA

Como seguir evoluindo apesar dos erros

Alguns dias atrás eu saí do trabalho e fui direto para a academia. Um caminho que faço sempre, no automático. Como tenho malhado mais perto de casa, as ruas são mais desertas, tem basicamente casas; os comércios são apenas na rua principal. Entrei com meu carro, joguei ele para o canto da rua e parei, me esquecendo completamente de “dar a seta”, já que nunca encontrava outro carro por lá. Porém, nesse dia havia um carro atrás de mim, que freou bem em cima, quase batendo. Sabe quando falta um palmo? Depois do susto o homem seguiu a rua; educadíssimo ele não me xingou e nem buzinou, apenas saiu me olhando com desdém e ódio, com toda a razão, é claro!

Depois desse momento, enquanto malhava, comecei a pensar no quanto eu realmente estava errada e no dinheiro que eu iria perder se o outro carro batesse em mim. O pensamento ficou ali ruminando e o olhar forte do homem me perseguia. Quando percebi que eu estava começando a me culpar dei dois passos atrás e entendi que era a hora de reorganizar minha mente. Era o momento de aceitar o erro e seguir evoluindo.

Na maioria das vezes o peso dos nossos erros nos impedem de ver a vida com a leveza que ela merece e emana. O fardo de viver pode tornar-se um grande elefante pendurado nas costas. O elefante, porém, não está sempre lá. A cada pequeno erro, a cada rotina desviada, a cada plano e sonhos frustrados, a cada culpa interiorizada, vamos lá, pegamos o elefante no bolso e colocamos nas costas.

Nosso querido elefante é um companheiro inseparável. Alguns, com o passar dos anos, começam inclusive a carregá-los nos braços. Nessa fase, é impossível usar as mãos para alcançar desejos maiores, o elefante da culpa não deixa. Está sempre pronto para te lembrar dos seus erros e ressentimentos.

O elefante da culpa pode ter sido um presente dos seus pais, do seu namorado ou namorada, de um amigo, pode vir de uma doutrina religiosa opressora demais, de uma noção distorcida de autoestima e amor próprio ou você mesmo pode ter comprado ele quando decidiu fazer o papel de vítima da vida. O fato é que esse elefante precisa morrer para que você possa enfim crescer. Não importa a maneira que você irá matá-lo; pode ser envenenado lentamente no dia a dia ou com um tiro certeiro a queima roupa. Você precisa dar um fim nele!

Matá-lo significa que você agora vai perceber seus erros, corrigi-los, aceitá-los e seguir em frente. Afinal, é para a frente que se anda.

Naquele dia da academia eu apenas removi o corpo. Quando percebi que ele não me incomodava entendi que na verdade ele já estava morto em mim!

Na imagem, a escultura “Pentateuque” do artista francês Fabien Merelle. Ela é incrível, não é? O mais engraçado é que só a encontrei depois de escrever o texto! É a vida respondendo nossas vibrações!

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