O AMOR VEM DE REPENTE

Quando a realidade é melhor que o sonho

Passamos a vida inteira esperando um amor que chegará com pompa. Vestes muito luxuosas e luzes, é claro. Imaginamos histórias cinematográficas, às vezes até colocamos uma pontinha de tragédia para que o drama fique completamente convincente. Temos a certeza que no primeiro olhar tudo estará consumado. Afinal de contas, o nome dos filhos já está escolhido, o casamento planejado, a vida inteira idealizada milimetricamente. E nossa pessoa, escolhida a dedo em nossos pensamentos, apenas tem a missão de materializar-se e cumprir sua ilustre missão de nos fazer feliz.

Assim, é nesse ponto dos sonhos que a vida pode – e tem o dever moral e ético – de nos acordar. Alguns subitamente, outros aos poucos. Os súbitos correm o risco de sofrer a dor da realidade, os mais lentos angustiam a demora. Ambos, passam pela experiência de entender que relações se constroem dia a dia e não em isolados momentos.

O amor para mim veio de repente. De súbito. Não houve aquele grande momento. Não houve sonho. Era apenas a rotina comum de todos os dias, o abraço comum de todos os momentos. E no nosso silêncio, tão comum, tão nosso, uma vontade próxima de aportar nas palavras todo o carinho que tinha na alma denunciou o sentimento. Ali eu soube que não era carinho, era amor. Nós sempre sabemos.

A certeza de amar veio como que criança arteira, escondida pelos cantos. Quase um susto. Sem pedidos de licença. Eu terminava um livro de Gabriel García Márquez, O amor nos tempos do Cólera e saboreava a delícia de um final de história. Eu pensava sobre a profundidade que e viver. Era apenas uma rede e um livro gasto por terminar. E assim, como brisa leve, Firmina Daza e Juvenal Urbino fizerem um profundo sentido em mim. Eu também estava na outra margem do rio, como eles. Eu também amava.

Eu não sabia mais o que dizer... porque de fato não há o que dizer. No amor não há porquês.

6 comentários sobre “O AMOR VEM DE REPENTE”

  1. Ler a sua descoberta do Amor, me faz pensar como complicamos algo tão simples. E como confundimos sentimentos superficiais com algo tão profundo.

  2. Texto muito bonito …
    Eu sempre canto uma canção que diz:
    “A melhor oração e o Amor”!
    E acredito que um dia também terei esse “de repente” …
    Grande abraço !
    Parabéns!

    1. Obrigada Felipe! Não conheço a música, mas já gostei desse trecho rs E não tenha dúvida, todos temos esse ‘de repente”. É só estar atento aos sinais, eles são sutis!

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