FANTASIAS DE CARNAVAL PROIBIDAS

Ó abre alas que eu quero passar!

Essa semana, com a folia do carnaval cada vez mais perto, as fantasias começam a sair do armário e ganhar as ruas, com alegria e muita diversão. No entanto, 2018 – como já era de esperar – levanta questionamentos sociais e nos faz refletir a realidade em seus detalhes mais mínimos. E assim, no meio do bloco, o debate das fantasias proibidas ganhou destaque.

O site Catraca Livre vinculou nas redes sociais e em seu site oficial o vídeo “Fantasias para não usar no Carnaval”, onde aponta sete temas sempre seguidos pelos foliões e as considerações intrínsecas sobre elas. No vídeo os temas homem vestido de mulher, índio ou índia, cigano ou cigana, emprega doméstica ou enfermeira (de forma sexualizada), nega maluca, Iemanjá e muçulmano, são lembrados e os pontos ligados a eles retratam a maneira preconceituosa e machista que as fantasias em questão levantam. O assunto rendeu e dividiu opiniões.

Nesse contexto, vale a pena lembrar que passamos atualmente por uma mudança completa dos pilares e paradigmas da nossa sociedade. Em meio a crises políticas, econômicas e sociais as pessoas vão aos poucos passando a repensar seus conceitos, reavaliar seus comportamentos e mudar convicções antes tidas como certas. Esse processo é natural, faz parte de todo o ciclo social e leva em conta também a mudança de gerações, que ao passar dos anos transforma as maneiras de ver a vida de uma forma ainda mais intensa. Esse processo de mudança é o que nos faz achar absurdo o uso das fantasias de índio e nega maluca nos dias de hoje.

7 fantasias para não usar neste Carnaval

O grande ponto do vídeo não está pautado na proibição do uso das fantasias, mas sim na reflexão sobre o fato de que ainda as usamos e que esse uso pode impactar a forma como vivenciamos e nos relacionamos com os outros. No Brasil é quase natural lidarmos diariamente com preconceitos velados. Afinal, vivemos em uma sociedade extremamente intolerante que veste suas descriminações de piadas e as mantém vivas ao longo dos anos acreditando ser muito altruísta e desconstruída, enquanto segue hostil e excludente.

Nenhuma fantasia é proibida, nenhum bloco é condenado. Nosso papel quanto cidadãos e pessoas que somos, é reavaliar nossas ideologias pessoais e coletivas, entender que o mundo segue rumo a uma igualdade tão sonhada e defendida pelas minorias marginalizadas e que fazer piadas sobre quem se encontra nesse local de preconceito e manter essa ideia viva e cada vez mais forte.

Ninguém precisa se desesperar e sair jogando fora as fantasias das gavetas. O que nós realmente precisamos é aceitar a mudança e se permitir ao menos pensar sobre ela. Nesse Carnaval, escolha sua fantasia a vontade. Só não escolha o preconceito. Ele não veste bem!

Link interessante sobre o tema:

Matéria completa do site Catraca Livre

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