TITE SALVARÁ O BRASIL

Em dia de jogo, vamos falar de Brasil!

São tantos assuntos borbulhando essa semana que não pude escolher um. Escolhi todos!

Escolhi repensar meus acessos ao facebook e o como o impacto dos vazamentos de dados não afetou quem realmente deveria se importar com ele, nós seus usuários. Decidi pensar na questão do Lula, sua atual situação frente ao habeas corpus e as manobras apressadas para conter a eminente reeleição do petista no caso de confirmação da sua candidatura. Pensei também nos milhares de comentários superficiais sobre a morte de Marielle e a justifica leviana de que “tantos outros morrem e ninguém faz nada”; justificativas essas que não entendem o processo social complexo na qual a morte dela está inserida. Pensei também nas últimas ações de Trump e suas sobretaxas de impostos, livrando o Brasil de pagar uma conta mais gorda. Pensei no porque desse livramento e isso me preocupou. Essa semana eu definitivamente pensei...

E pensando tudo isso ao mesmo, e pensando cada coisa em separado, entendi que o Brasil é mesmo uma grande colcha de retalhos. O Brasil é essa efervescia de coisas sobrepostas, interligadas, misturas a coisas do mundo, misturadas por todos os cantos, por todos os lados. Me cansa escrever e me cansa pensar também, tamanha loucura encontramos por aqui. Como diria meu amigo Lucas Leite, “O Brasil é um ponto fora da curva da historiografia.” E é mesmo. Pensei nisso também. Pensei muito nisso inclusive. Nossa história corre na contramão, na retaguarda da história do mundo.

Diário de Contagem - Charge: Paulo Werner

E assim, pensando, vejo nossa sociedade doente de saber quem é. Vejo cada um de nós sem saber aquilo que te faz ser o que é quanto ser social, não indivíduo. Talvez até indivíduo. E, isso deixa tudo ainda mais assustador. Perdemos o caminho que nos leva a essência ideal da ideia de ser “brasileiro”. Não nos vemos como latinos. Afinal, aparentemente superamos as separações territoriais que as independências trouxeram de brinde com o rompimento das colônias. O preconceito entre as regiões não conta, soma o samba como identidade nacional e está tudo certo. Também não somos europeus. Infelizmente não somos europeus, dizem o comportamento daqueles que veem nisso uma grande dor e procuram na comparação a resposta para anos de separação entre nosso desenvolvimento e o deles. Asiáticos não lembramos que existem, australianos também não. Africanos não, africanos trazem um passado e um presente – muito vivo por sinal – que não queremos recordar. Americanos. Ah, nossa última saída de ser alguém. Assim usamos suas roupas, comemos suas comidas e agora mergulhamos em algumas de suas ideias. Somos mesmo um ponto fora da curva.

No fim, quem salvará o Brasil?

Tite. Tite salvará o Brasil! Tite nos levará firmes a Copa. Copa, ponto alto de nosso esquecimento da realidade. Ponto alto de nossa alegria. Ponto alto de nossas perguntas... já que a própria seleção revela entre as linhas de seus campos a fragilidade de nossa política, de nossa sociedade. Mesmo não sendo entendedora do esporte, vejo nele uma raiz social profunda. Raiz essa que não passa mais despercebida.

Futebol é uma coisa boa. Inclusive vou ver todos os jogos do campeonato, se ganhar o álbum preencho com gosto suas figurinhas e torço com gosto por cada jogador. Só me entristece o fato de ser Tite nosso salvador. Nada contra ele. Só esperava do povo uma reação mais forte.

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