SOBRE AS EMOÇÕES QUE GUARDAMOS

Mulheres também sentem

Uma amiga minha me ligou semana passada muito empolgada dizendo que tinha um texto para mim. Era o tema perfeito para o mês, eu tinha que ouvir aquela história. Então ouvi.

A narrativa é cabeluda, envolve muitas pessoas, por isso, não posso contar detalhes. Mas, posso adiantar que era um caso de traição. Seu cunhado, um ser humano muito amável, simplesmente arrumou outra família, outra vida paralela ao casamento. Ele mantinha a irmã dessa minha amiga presa a um relacionamento fracassado e mergulhado em falta de amor próprio com a desculpa da necessidade, afetiva e material. Foi ai, que o sobrinho da minha amiga, filho da moça da história, uma criança, disse:

- Mãe, por que meu pai sai com outras mulheres e você não? Não, porque eu estava pensando aqui, se ele pode você também pode!
Era realmente um grande tema!

Relacionamentos são coisas complexas. No geral são mais complexas para nós mulheres, para nós e para os homens sensíveis. Somos nós que ficamos ali a mercê dos sentimentos e muitas, muitas vezes isolados por eles. Assim, a história da irmã da minha amiga, me atingiu em cheio.

Não que a traição como vingança seja algo bom. Se você julgar que seja, ok. Mas, no fundo não vejo como positivo cutucar profundamente uma ferida aberta. Acontece que entender o fato de que nós mulheres temos as mesmas condições e direitos afetivos dentro de uma relação é libertador. Perceber que não precisamos ficar atreladas a falas sociais que não cabem mais no nosso tempo é como poder olhar horizontes de esperança. E no meio desse horizonte, estender uma grande faixa, onde se lê: mulheres também sentem.

Olhando essa história, parei para pensar na quantidade de vezes em que somos obrigadas a omitir o que sentimos, a viver uma falsa realidade na qual não desejamos, não queremos, não nos irritamos, não ficamos chateadas, não almejamos mais, não desistimos, não somos seres emocionais. Tudo isso em prol do bem comum. Tudo isso porque somos levadas a pensar que devemos estar sempre prontas a cuidar dos sentimentos alheios e a viver os nossos de maneira escondida, quando der, quando for socialmente permitido. E assim, repleta dos sentimentos alheios, seguimos buscando brechas para as nossas próprias emoções. Somos muito emotivas, mas não permitidas a expressar essas emoções.

Às vezes a gente se chateia, se magoa, não gosta de um comentário de alguém, deseja realmente trair seu marido de volta, cobiça o cara que passa na calçada ao lado, fica triste sem ser na TPM, fica feliz na própria TPM. Às vezes a gente sente muito e não diz. Não diz porque temos que ser fortes, não podemos desabar o castelo das emoções. Desabar significa descontrole demais para uma dama. Mas o problema é que a gente sente! O problema é que a gente também sente!

E nesse mar de sentimentos é bom saber que se eles podem a gente também pode! Um brinde ao sobrinho da minha amiga, uma criança mais madura que muito adulto por ai!

2 comentários sobre “SOBRE AS EMOÇÕES QUE GUARDAMOS”

  1. Muito bom ver que ainda existem mulheres com senso crítico, diferente da grande maioria presa as bons costumes velhos. Incrível como uma grande farpela da sociedade ainda não entende que todo ser humano, não somente o homem, tem o direito de expressar os seus sentimentos. Muitos relacionamentos, não necessariamente amorosos, vivem esse dilema de guardar aquilo que está no interior.
    Gostaria de parabenizar pela postura diante dessa tema tão presente em nosso tempo. Continue assim.

    1. Nós mulheres estamos mudando e é ótimo que vocês homens percebam isso também! Juntos construímos uma sociedade mais igualitária! Obrigada pelo comentário 🙂

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