LULA, O FILHO DO BRASIL

“Tem muita testa oleosa, se achando mente brilhante!”

Hoje não senti vontade de escrever. Nem de abrir as redes sociais ou ler as matérias dos jornais sobre o tema. Hoje, sinceramente, não senti vontade de olhar para a cara do Brasil e assistir – com a sensação amarga de que nada posso fazer – nosso país seguir ladeira abaixo no processo democrático.

Como todo mundo tem acompanhado, o julgamento sobre o caso do Triplex do Guarujá - que envolve o Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - entrou em sua reta final com a sentença de prisão e o mantado expedido pelo juiz Sérgio Moro, após os pedidos de habeas corpus terem sido negados. Até o momento em que estou escrevendo esse texto, o desfecho final é a provável prisão, enquanto Lula segue em liberdade.

O que mais me assusta e confesso, não tenho mais forças para remar contra, é a falta de senso de realidade presente em algumas parcelas da nossa sociedade. Falta essa que se manifesta em especial nas classes mais baixas, as mais afetas por todo esse processo e suas consequências, e a contínua manutenção de um pensamento conservador e elitista que não cabe em sua vida real.

A grande questão é que ninguém pode provar a inocência do Lula diante das acusações - e não somos ingênuos a esse ponto - assim como também não podem provar a de inúmeros políticos (incluindo nosso amado Presidente Vampirão) em inúmeros casos de corrupção, tráfico de drogas, desvio e lavagem de dinheiro, arrojos e tantas outras investidas contra a justiça e a população.

Charge - Jota Camelo

A ligação clara entre o juiz Sérgio Moro e o Aécio Neves, a ausência de prisão dos políticos do PSDB, as falas corrosivas do representante do Exército, o General Villas Boas as portas da decisão do último habeas corpus, as investidas globais nos chamados “Que Brasil eu Quero para o Futuro?” disseminando a ideia de que nosso maior problema é a corrupção e a reprodução efervescente nas redes sociais de um discurso de endeusamento a prisão do Lula, como o fim máximo de nossos males. Tudo isso, formando um combo de situações e circunstâncias que nos levam a perceber, de forma clara, a fragilidade de nosso poder judiciário e a maneira veemente no qual ele tem se sobreposto ao executivo.

É tão absurdamente lógico, que é impossível que alguém não compreenda! É tão absurdamente lógico, que me dói ver nossos olhos fechados.

A cada dia, vemos nossa democracia exposta, definhando como carne pobre largada aos urubus, frente a uma legalização nojenta, onde os maiores golpes são orquestrados com a desculpa esfarrapada do cumprimento da lei. Mas que lei é essa que não se aplica a todos?

Aos cientistas sociais de plantão, que defendem a prisão de Lula como expiação de nossos pecados, chegou a hora de pensar melhor nossa realidade. Afinal de contas, como diria o mestre Paulinho Gogo, “Tem muita testa oleosa, se achando mente brilhante!”.

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