POR QUE GOSTAMOS DE SUPER-HERÓIS?

Vingadores: Guerra Infinita

Ontem aconteceu a estreia mundial de Vingadores: Guerra Infinita, o novo filme da Marvel. A grande expectativa da trama é a união de muitos dos heróis da franquia na luta que busca salvar não só o planeta Terra, mas todo o universo, como a própria descrição do trailer no canal oficial da empresa diz.

Percebendo toda a repercussão em volta do filme, olhando os inúmeros memes que já nasceram sobre o assunto, devorando várias matérias e vídeos sobre o tema e vendo muitos amigos comprando ingressos para não ficar de fora do momento, notei escondida uma pequena pergunta: Por que gostamos tanto de super-heróis?

Gostamos de justiça! Sim, queremos ver briga, queremos ver sangue e dor e morte, queremos ver as coisas resolvidas. Porque algumas vezes, quando o vilão é maior que o problema, entendemos que é preciso matar para viver, entendemos que a justiça é algo muito mais complexo do que nossa sociedade normatizada pode prever. Vemos na justiça de nossos heróis a justiça que queremos fazer, mas não podemos.

Gostamos de pensar que somos capazes! E como gostamos! São nos nossos heróis que depositamos tudo aquilo que acreditamos não possuir, qualidades muito distantes da realidade que montamos para nós. É que no fundo a gente se vê muito pequeno, muito limitado, a quilômetros das potencialidades que de fato possuímos. Então, colocamos no outro, nos heróis, aquilo que nunca seremos. Nunca seremos pelo simples fato de que não buscamos ser.

Gostamos de nos sentir crianças mais uma vez! E isso, o cinema produzido pela Marvel faz com maestria. A vida adulta - que não é muito bem aceita pelo menos na minha geração - é pesada demais, burocrática demais, exige crescer e isso... isso não. Agora não. Então nos entupimos de conteúdo infanto-juvenil, mergulhamos nas histórias, sentimos, vivemos cada pedaço do filme já angustiados pelo momento cruel em que tudo aquilo vai acabar e nós, anestesiados, vamos sair das salas de cinema direto para a vida real.

Gostamos de tudo que não pareça nerd! E essa é a maior contradição de todas, já que o mundo dos quadrinhos é completamente nerd, absurdamente nerd; criado por nerds e produzido de uma maneira totalmente repaginada para que nós – não nerdes - pudéssemos gostar e consumir aos montes, no mais puro estilo americano de ser. Porque o mundo nerd vende, vende muito. Vende para todos os públicos, é só não parecer que é.

Gostamos do pedaço humano que vemos neles! Afinal de contas o que são os superpoderes se não a nossa própria humanidade potencializada? O Hulk é nossa ira, nossa ira em nível máximo, e tudo que ele faz com a força que tem é o que desejamos fazer quando sentimos raiva. A armadura de ferro de Tony Stark, por exemplo, é nossa capa de proteção quando fugimos das relações com o outro, das trocas de afetos ou das verdades duras da vida; o problema é que algumas vezes o coração explode, não tem como fugir.

No fim, não gostamos dos super-heróis. Amamos os super-heróis. Amamos todo o imaginário que eles representam. Queremos ser como eles, queremos viver o que eles vivem, sentir o que sentem e, algumas vezes, saímos de nossas cadeiras um pouco mais confiantes, motivados e impulsionados por aquele universo em que tudo é possível e tudo dá certo no final. Saímos mais felizes e essa felicidade vence tudo.

Assim, espero que entendam que também gosto muito de super-heróis. Que inclusive espero assistir o filme nesse próximo final de semana, porque não aguento esperar de curiosidade. Que como ninguém mais, admiro as histórias bem contadas, porque amo histórias; histórias são as coisas que mais aprecio fazer e ver, ouvir e sentir. Mas, gosto ainda mais, de fazer da minha realidade a melhor ficção que existe.

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