BICICLETAS

Pôr do sol, trabalho e a beleza dos caminhos!

Deve ter um ano mais ou menos que eu e meu namorado decidimos assistir ao pôr do Sol na Praia do Siqueira, em Cabo Frio. Como queríamos fazer algo diferente, saímos de São Pedro da Aldeia, ali no Baixo Grande, e viemos pedalando até lá. Passamos pela Ponta do Ambrósio, subimos a ponte e, chegando ao destino, paramos perto de uma loja de açaí bem na orla do bairro. Confesso, a ponte foi a melhor parte. Apesar do friozinho e do vento forte, a sensação de descer uma ladeira de bicicleta é tão sensacional que cobre qualquer adversidade do tempo.

Mas, infelizmente, a realidade foi um pouco diferente do planejado. Olhamos o horário do por do sol no site, confundimos tudo e quando chegamos à Praia do Siqueira já tinha anoitecido. Nenhum sinal do Sol, todo mundo olhava para a gente sem entender nada e o tal açaí era a única coisa que sobrava no meio daquela frustração. O Sol, pelo visto, não pôde nos esperar e se pôs antes de chegarmos. Aproveitamos pra passear pelas Palmeiras e demorar um pouco mais na ponte pra observar a Lua, que por sinal estava linda naquele dia. E assim, entendi que pedalar foi o maior presente que ganhamos dessa aventura toda, porque sem dúvida o caminho valeu a pena.

Depois daquela tarde, fiquei pensando ainda que aquele caminho era apenas um terço da estrada que meu pai fazia indo trabalhar de bicicleta ou metade do que meu tio ainda faz hoje. E, que ainda assim, não é nem um pedaço do que a grande maioria das pessoas aqui da região faz todos os dias. Fazem porque é preciso fazer, não só pelo prazer de pedalar. E isso me fez refletir ainda mais sobre aquilo que vamos fazendo por fazer, sobre o quanto a nossa rotina pode ser pesada para nós enquanto é considerada um sonho pelos outros, sobre as luas que deixamos de olhar nas pontes porque estamos atrasados demais para dar uma paradinha no meio do caminho...

E assim, nessa história de pedalar, entendi que o bom mesmo é ser como os trabalhadores que usam as bicicletas. Fortes, concentrados, com um fôlego e tanto, suportando ventos e chuvas, sol e calor, simplesmente porque o objetivo de chegar é maior que o motivo para desistir. Bom mesmo é ser como as bicicletas. Leves, despretensiosas e sempre seguindo em frente. Porque sim, os pedais nunca giram para trás. E, quando giram, são apenas freios, nada de voltar sozinha por onde suas rodas já passaram.

Bom mesmo é perder o pôr do sol para enfim valorizar o caminho que te leva a ele.

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