E O DIA DOS NAMORADOS?

É preciso entender o que importa!

Namorar é essa coisa complexa que envolve sentir e demonstrar, perceber e amar, ser e deixar que o outro seja. E o dia dos namorados nasceu para fazer a gente lembrar desses detalhes, ou não.

Eu fui aquela que sofreu em cada dia dos namorados quando era solteira. Não parecia ser por querer, parecia ser natural. Não era uma dor dilacerante, era pior. Era uma dor incomoda, era uma pontada no peito, uma espécie de faca girando em sentido horário. E, em cada pensamento meu sobre o amor, a pontada doía, a faca girava. O mais engraçado sobre essa “dor de amor” era ver o quanto ela aumentava quando eu andava pela rua e todos aqueles que cruzavam meu caminho eram casais, quando abria a internet e todas as postagens que via eram sobre aquele amor lindo que começou do nada e depois de um mês virou eu te amo, quando pensava nas minhas amigas e lembrava que elas estavam muito ocupadas em manter seus corações leves, sem a amarga faca para atormentá-las.

Quando enfim comecei a namorar, pensei logo: quero todos os dias dos namorados bem perto do meu amado. Quero tudo que mereço ter. Presentinhos, chocolates, jantaras, poesias, declarações. Quero tudo! Quero muito! Quero agora! Então, quando o agora chegou, quando o grande dia apareceu, meu amor se mudou... Passamos a comemorar o tão esperado momento dos namorados uns dias antes ou uns dias depois. Passamos a mostrar nosso amor nas pequenas coisas, que eram de fato mais importantes. E assim, pouco a pouco, o dia 12 de junho foi virando uma data mais comercial que sentimental e fui entendo porque aquela faca doía tanto em mim.

Pensei na hora o quanto eu tinha sido enganada a vida inteira. O quanto aquela ilusão sobre o amor vendia uma imagem irreal do que ele de fato era. No fundo eu realmente acreditava, por um tempo eu realmente achava que o amor iria ser materializado apenas em um dia. Que todo o sentimento que eu guardava no peito iria realmente caber em um único presente. Achava que todos os momentos bons não seriam tão bons quanto aquele. Mas, eles eram. Eram inclusive melhores.

Achei que só eu passei a ter uma visão menos romântica sobre o dia dos namorados depois que comecei a namorar. Conversando com alguns leitores aqui do site, percebi que não. Percebi que realmente o dia 12 de junho era a única data livre entre o dia das mães e o dia dos pais, era a única data em que podíamos comprar presentes sem atrapalhar o carnaval. Percebi que alguns trocam só presentes mesmo, porque o amor de verdade pode nem existir; afinal de contas, ele não é trocado, é dado por uma livre escolha da alma. E nesse jogo de olhar o outro, percebi que eu e meus amigos somos mais românticos do que imaginávamos, já que queremos fazer o dia dos namorados acontecer todo dia.

E hoje, dia doze, sem ganhar presentes, sem jantares, sem chocolates, com meu namorado longe de mim fisicamente, consigo finalmente entender que a poesia é feita de sorrisos sinceros e as declarações mais lindas são os “eu te amos” diários que encontramos perdidos entre as pequenas renuncias e as grandes vitórias. Descobri que mesmo longe ele está perto, e no fim é só isso que importa.

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