COPA DO MUNDO 2018

A taça do mundo é nossa?

Ontem começaram os tão esperados jogos da copa. O evento, que reuni as melhores seleções de futebol do mundo, é realizado esse ano na Rússia e já começou dando o que falar, com uma bela goleada da anfitriã. Já a seleção brasileira, que segue para a disputa com o peso de Hexa nas costas, saiu do Brasil deixando para trás um país que já não é mais tão verde e amarelo assim para alguns brasileiros...

O espírito arrebatador dos jogos mundiais está presente nos bolões, nos churrascos em volta das partidas, nas ruas pintadas com as cores da bandeira e nas conversas, inúmeras e longas, que se estendem pelas filas e cercam as tv’s durante as transmissões. Toda essa empolgação deixa entalada na garganta, ao lado do grito de gol, uma voz que antes questionava a situação política, social e econômica do nosso país. A maneira como a copa do Mundo pode interferir na nossa noção de realidade social é gritante para alguns, na mesma medida em que é desconhecida para outros. Esse processo, em que o futebol — paixão nacional — é usado como uma manobra na contenção dos problemas políticos/econômicos não surgiu agora e nem será deixado de lado ao longo das muitas copas que ainda estão por vir.

Assim, o grande questionamento nesse início de campeonato talvez não esteja diretamente ligado à taça e a dúvida insistente se o Hexa será realmente nosso ou não. A maior pergunta que devemos fazer está relacionada à que tipo de vitória é de fato necessária para o nosso país hoje. Diversas áreas da nossa sociedade esperam receber da população e do governo a mesma atenção e respeito oferecido aos assuntos ligados ao futebol. Não é novidade nenhuma que a saúde e a educação, assim como a segurança pública e a economia, vêm perdendo um 7 x 1 constante quando a ideia é qualidade e engajamento do governo.

Diário de Contagem - Charge: Paulo Werner

Acho realmente lindo ver os nossos jogadores em ação, assistir as suas histórias emocionantes de superação e suor em meio aos campos de lama das grandes periferias brasileiras. Acontece, que o futebol não precisava ser a desculpa esfarrapada da meritocracia que envolve os meninos pobres dos morros e interiores em uma ideia ingênua de que se pode tudo quando se tem força de vontade. Se pode tudo, na mesma proporção de igualdade, quando se tem políticas públicas igualitárias e justas.

Por tudo isso, nessa Copa 2018, vou torcer para dois “Brasis”: o de Tite e o meu. Vou vibrar por aquele que vejo em campo e por aquele que espero nas eleições. Vou marcar o meu bolão esperando as vitórias dentro e fora das quatro linhas. Quero um ataque de respeito na grande área, assim como no senado, nas prefeituras, na presidência. Quero ver os meus olhos brilharem pelos dribles do Neymar da mesma forma que brilham ao pensar que um país melhor é possível. Quero vitórias substanciais, consistentes. Quero goleada na Argentina, quero goelada nas urnas.

Pra frente Brasil! Que comecem os jogos!


Quero agradecer aos meus amigos Rafaella Barcellos e Rômulo Ambrozio pela ideia do tema e colaboração na revisão do texto, respectivamente.  Vocês são demais!


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