QUANDO O SEU AMOR MORRER…

Porque sim, as pessoas morrem!

É engraçado quando a gente para pra perceber que na realidade que criamos, algumas pessoas nunca morreriam. Não sei por que, só sei que algumas pessoas são para nós verdadeiros imortais. Isso acontece quando pensamos nos nossos pais, por exemplo. Mas nem sempre essa realidade é real...

Eu estava trabalhando, era um dia absolutamente normal. Enquanto trabalhava, pensava em quais temas escrever nesse mês, em que estamos falando de amor por aqui. No meio desses pensamentos, sai da sala por instantes. Voltando, no corredor, encontrei um colega de trabalho que não via há muito tempo. Ele perguntou se eu não sabia o motivo que o fez se afastar do trabalho e, sem graça, confessei que não. Ele me contou que a esposa havia morrido de um câncer, que ele não estava conseguindo se recuperar depois disso tudo e muito emocionado, após mais algumas palavras, terminou dizendo “Eu não sei o que fazer com essa dor. Eu não sei se ela vai passar...”.

Eu quis sentar na cadeira do lado e chorar com ele. Era a única coisa que eu queria fazer. Mas, ali de frente com aquela pessoa que eu mal conheço, que vejo às vezes pelo corredor, frente aquele sentimento todo que ele dividia comigo simplesmente porque precisava dividir, não importava com quem fosse, eu respondi que eu achava que realmente aquela dor nunca iria passar. Eu disse a ele que o tempo o ajudaria e fui embora sofrendo uma dor que nem era minha. Eu nem precisei procurar pelo tema, ele me procurou.

Levei um bom tempo até conseguir elaborar aquela situação. Imediatamente comecei a pensar nos tantos casais que eu conheço que passaram por isso, que precisaram enfrentar esse momento de partida, essa mudança que não avisa, essa mudança que só chega, só leva... Pessoas que são amadas, pessoas que são o amor da vida de outro alguém, pessoas que simplesmente morrem e nos deixam aqui, sozinhos desse amor, com o peito transbordando de um sentimento que foi feito para dois, não para um. De um sentimento igual à água, que quando não é divido, afoga a alma de tanto não caber.

Pensei em como eu reagiria se o meu amor morresse. Comecei a questionar como eu me comportaria, como eu enfrentaria a vida, como eu enfrentaria Deus, como eu enfrentaria a mim mesma. Eu seria aquela que sofre ou aquela que supera? Quem eu seria? Eu seria?

E assim, olhando aquele homem, e olhando tantos outros homens, e olhando tantas outras mulheres, olhando todos aqueles que já perderam para a morte um amor, eu escolheria ser grata. Ser grata por ter tido um amor que se encaixou tão bem no meu peito. Ser grata por não ter me sentido sozinha enquanto estava acompanhada. Ser grata por ter sido amada na mesma intensidade que amei. Ser grata por ter amado.

Por isso, quando o meu amor morrer ( e espero que demore muuuuuuito, espero que morramos juntos kkk) eu vou ser a que sofre, mas também vou ser a que supera. Afinal de contas, eu sempre fui aquela que viveu.

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