IVONE E GE, UMA HISTÓRIA REAL!

Casal conta como o amor sobrevive às provações da vida e do tempo!

Na nossa primeira entrevista do site, vamos falar de amor! E, para isso, temos uma convidada muito especial. Leitora assídua aqui da página, Ivone é casada com Genival (Ge) e não mediu esforços para dividir um pouco da sua história de amor com a gente. Falando do papel da mulher na relação e na vida, sua trajetória nos faz pensar sobre o que somos e o que passamos a ser a partir das experiências que a vida traz.

Ela tem 59 e é carioca, nascida em Rocha Miranda; seu marido, Ge, tem hoje 63 anos e é Pernambucano, naturalizado no Rio de Janeiro. Ela é agente comunitária de saúde, ele um caminhoneiro aposentado. Com dois filhos, esse ano o casal completa 39 anos de amor, 39 anos vivendo um casamento, que assim como o ouro, foi provado no fogo!

Vindos de Bango para a Região dos Lagos, a procura de uma oportunidade de emprego, o casal hoje mora em São Pedro da Aldeia e nos conta um pouco mais sobre esse amor!

1) Ivone, como e quando você e Ge se conheceram?
É uma história engraçada. Uma amiga minha de infância, Rosa, namorava com ele, mas era apaixonada por outro. Sem graça de desmanchar e sabendo que eu havia terminado um namoro com outro há pouco tempo, foi me perturbar, oferecendo ele para ela ir embora. Disse que poderia marcar o encontro, mas na verdade não quis. Só que nem eu e nem ele fomos ao tal encontro. O tiro saiu pela culatra. Mais tarde eu resolvi ir para a festa junina que teria na escola e saindo de casa, bem no portão, vinha ele com outros colegas de rua. Então, saímos com o intuito de ir à festa. Começamos a conversar, conversar, até que saiu o primeiro beijo, que foi horrível kkk. Não gosto nenhum pouco de pimenta e ele havia comido um churrasquinho com pimenta. Fiquei arrasada, mas apaixonada kkk Foi desse jeito!

2) Como vocês tiveram certeza que esse amor era feito para casar?
Foram longos 6 anos. Fiquei noiva aos 15 anos. Cada dia, sem querer .... já começando a esquentar a intimidade, mas eu segura, só dizia ... no preto e no branco ( kkk casando). Assim, compramos o enxoval pouco a pouco, com muita dificuldade e por causa da minha irmã mais velha, que insinuou para ele que eu já havia tido sexo – mas não tinha – ele resolveu marcar o nosso casamento. Nós tínhamos desmanchado o noivado porque ele havia ficado desempregado e após estes 6 anos de namoro havia desconfiança quanto a minha virgindade por algumas pessoas, como minha vizinha e minha irmã. Somente com o sofrimento do rompimento ele não aguentou e resolveu voltar logo marcamos a data do casamento.

3)Vocês sempre sonharam em casar? Como vocês idealizavam a ideia de casamento?
Eu sim, disse Ivone. Ele talvez para provar que arranjou uma virgem e que seria o primeiro. Se eu não fosse virgem ele me devolveria. Quanto à ideia de casamento, primeiro esperamos ele acabar os estudos de Soldador no Sence. Eu estava trabalhando naquela época, fazia unha como manicure. E assim, fomos comprando nosso enxoval juntos.

Leia essa história embalado pela música do casal!

4) Qual a diferente entre essa ideia que vocês tinham e o casamento na vida real?
Conhecer a pessoa que você escolhe, para achar que conhece bastante. O namoro esconde ainda algumas coisas que somente vivendo a dois descobrimos. Ge tinha hábitos que eu não sabia. Ele perdia dinheiro com jogatina, foi uma decepção descobrir isso. Na sexta-feira ele já ia com a cachaça e o torresmo debaixo do braço e só voltava no dia seguinte, entre outras falhas.

5) Como foi a chegada dos filhos? Que mudanças eles trouxeram?
Kkk Na lua de Mel, com 12 dias de casada! O médico me ensinou a tabela errada e veio a primeira filha. O Segundo, depois de seis anos, chegou de surpresa. Eu tinha muito medo, pois a Viviane, mais velha, nasceu com alguns problemas. Sobre as mudanças, foram muitas. Trouxeram responsabilidade.

6) Sabemos que seu marido sofreu um grave acidente, que mudou por completo a vida de vocês. Como foi esse acidente?
No dia 22/05/00, em viagem para carregar a carreta com cimento, na ida em Conceição de Macabu, ele caiu com a carreta no precipício, onde ele ficou com a cabine enterrada, pois é um brejo. A carreta teve 100% de perda, ele teve traumatismo craniano, fratura na coluna, bacia, ombro, se afogou, pois, comeu lama e óleo da carreta e teve pneumonia. Ficou em coma 28 dias e 72 dias internado.

7) Quais foram os pensamentos e sentimentos que vocês viveram nessa etapa da vida?
No momento em que Lúcia ligou, eu liguei para a empresa que ele trabalhava. O meu coração disparou, fiquei perplexa, queria voar e chegar logo. Liguei para o hospital que ele deu entrada como indigente, já que os documentos ficaram na carreta e molhados. Eles não podiam passar informação, então precisava de reconhecimento. Primeiro que é muito triste. Eu filho Marcos, com apenas 14 anos, me ajudou a ir para o ponto de van, quando fico nervosa fico paralisada e não consigo andar. Consegui pegar uma carona com um amigo que ia para a escola e fiquei no ponto de ônibus para pegar o Macaé. Já era 18h e nada do ônibus, havia um acidente na Praia do Siqueira que atrasou tudo. Consegui chegar em Macaé por volta das 22h. No ônibus, o motorista vendo minha aflição, pois, carregava na mão um terço, e nunca havia estado em Macaé (essa lembrança do momento me fez passar uma tristeza profunda).

O motorista me deixou em frente ao hospital São João Batista. Quando fui até a recepção, a recepcionista disse que não podia passar informação antes de fazer o reconhecimento, pois, ele estava sem documentos e naquele momento estava no centro cirúrgico.  Aguardei até as 00h quando um médico saiu e disse que aguardasse que teria que fazer o reconhecimento antes para depois falar alguma notícia, e entrou para o CTI.

Mas, com a demora, saindo do CTI, ele me chamou, disse que pedia desculpas se não fosse ele, mas resolveu falar porque já era muito tarde. A primeira pergunta dele foi: A senhora tem fé? Pois, ele está mal. Aquele lá de cima, naquele momento senti apenas eu e Deus.

Ivone você tem fé? E eu respondi sim, senhor! Sentimento de coragem, de fé e de amor.

Ivone e Genival com seus filhos e netos.

8) Como o casamento de vocês se transformou depois dessa fatalidade?
Sabe, foram longos tempos de penúria. Com a alta ele esqueceu da família e só lembrava e gritava e pelo nome de Iara, que é a irmã dele.

Foi doloroso saber que uma pessoa que você cuida não se lembra de você e dos filhos. Passando pelo neurologista e amigos médicos, me intuíram tudo da mesma forma que eu ensinava para ele; o que era água, peixe, etc.  Eu também precisava mostrar a ele que eu existia, que eu estava ali. Eu ensinava a ele e ele se sentiu ensinado. Sentiu-se desejo e aos poucos eu passava na frente dele de calcinha, sutiã, até que um dia aconteceu o despertar para o sexo. Não era mais uma Brastemp, mas funcionava kkkk  E assim vou levando. Ele pede “Ivone, vamos namorar” e mesmo namorando ele esquece e pede novamente.

9) Pensando nas limitações que seu marido passou a ter e nos anos de casamento que vocês construíram, o tempo mudou a relação de vocês? Se sim, Como?
Sim, mudou. Agora sou eu que comando. Sou eu que preciso decidir se procurá-lo, sou que dou o prazer e muitas vezes, fico impossibilitada de receber o meu prazer.

10) Dentro desses anos de casados, qual foi o melhor momento que vocês passaram juntos?
Apesar de termos poucos momentos, tivemos alguns passeios. Mas, a vida foi muito dura. No casamento, nascimento dos filhos.

Ivone e Ge, com sua filha Viviane e sua neta Luiza.

11) E tirando o acidente, qual foi o mais difícil?  
Aos 2 anos de casado ele queria se separar. Neste momento estava passando com minha filha internada, por ela ter nascido com deficiência física (um ano dentro do hospital Miguel Couto).

12) Olhando para trás, vocês fariam alguma escolha diferente?
Não sei responder, Deus escolheu a minha história.

13) Como vocês se imaginam no futuro?
Não espero, vivo cada dia. Não tenho mais imaginação para o futuro. Continuo cuidando dele até que a morte nos separe, não sei quem irá primeiro.

14) Vocês acreditam que existe uma receita ideal para um casamento feliz?
Claro que não! É dia após dia, muitas vezes a trancos e barrancos até chegar ao ponto da maturidade. Ai sim, o respeito cresce, o amor junto e vêm o “felizes para sempre”.

15) Qual conselho vocês gostariam de ter ouvido e querem deixar para os solteiros aqui do nosso site? E para os casados?
Para os solteiros, escutem seus pais, pois eles enxergam melhor, estão de fora e veem o que não entendemos. Pois, muitas vezes, apaixonados, não enxergamos.

Para os casados, cuidar, respeitar, ajudar, valorizar e crescer junto até que a morte os separe!

16) Qual mensagem final vocês deixam sobre o amor aos nossos leitores?
A maior arma que temos é ter, dar, sentir o que gostaríamos de receber. É o amor!


Quero deixar um agradecimento a Ivone e sua família, conhecidos de longa data, que muito tem me ensinado com suas histórias e suas lutas. Agradeço por abrirem seus corações e, embarcarem nessa loucura que é a escrita, para dividir com a gente um pouco do que são!


 

2 comentários sobre “IVONE E GE, UMA HISTÓRIA REAL!”

  1. Nossa, que linda história de amor! É ouvindo relatos como esse que encontramos o real significado do amor, que tudo crê, tudo espera e tudo suporta!

    1. É realmente uma história linda! Mas, acho que ela traz outras mensagens também. Principalmente sobre o quanto é difícil ser mulher e o quanto é difícil amar sendo essa mulher que esperam que a gente seja! Girl Power kkk

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