MANUELA D’AVILA NO RODA VIVA

Lute como uma garota!

Na última segunda-feira, a pré-candidata a presidência da República pelo PCdoB, Manuela D’Avila, participou do programa Roda Viva, na TV Cultura. A proposta da atração era uma entrevista onde a possível presidenciável pudesse expor suas ideias de governo, suas bases políticas e o projeto de Brasil que traz em sua candidatura, assim como foi realizado com outros candidatos. No entanto, nada disso foi possível. Manuela protagonizou na verdade um show de machismo e misoginia, onde os entrevistadores convidados direcionaram perguntas tendenciosas e interromperam suas falas durante toda a coletiva; cerca de 62 vezes em pouco mais de uma hora de programa.

O maior fato revelado pela atração foi sem dúvida o posicionamento da mulher. Os argumentos políticos da candidata, motivo e objetivo da entrevista, ganharam outros contornos. O caso de Manuela comoveu não só as redes sociais, mas ganhou um amplo espaço de discussão sobre a voz da mulher brasileira e seu direto de fala dentro de nossa sociedade, tão profundamente machista. Cada um dos inquisidores, digo, entrevistadores, da candidata, conseguiu demonstrar com maestria a arte brasileira de calar mulheres com base em argumentos superficiais. Argumentos esses que ligam doutrinas religiosas e sociais à desculpa esfarrapada de que ainda não compreendemos bem a realidade para questioná-la.

A grande questão é que compreendemos plenamente toda e qualquer realidade que nos cerca. A partir dessa compreensão, torna-se possível entender o quanto o “Manterrupting” não é só uma simples interrupção. O termo que tem origem no inglês, traduz o ato de interrupção da fala feminina como a intenção de “prejudicar o raciocínio e argumentos de mulheres, e assim inferiorizar suas falas.”*

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Um grande recurso sexista, “o manterrupting é considerado uma ferramenta de dominação”*. E acreditem, por mais absurdo que pareça, ele está diretamente ligado ao nosso dia a dia e o caso de Manuela D’Avila é apenas um daqueles que vira notícia pela relevância de quem o sofre. O manterrupting cala nossas vozes todos os dias, em diferentes cenários e contextos. O manterrupting cala nossa existência todos os dias, em detrimento de outra que se considera superior.

O jornalismo cruel e perverso, apresentado pelo programa, deixou claro como não se fazer entrevistas. Sem nenhum compromisso com a ética e com a verdade, os entrevistadores transpareceram o lado mais claro e nítido dos ativistas de redes sociais que tanto vemos por ai: um show de fundamentos rasos, baseados em discursos de ódio e nenhum grau de intelectualidade ou crítica.

Ninguém é abrigado a pensar na mesma caixa, a comungar dos mesmos ideias ou cultivar as mesmas ideologias políticas. Ninguém. Mas, nessa mesma rua, na contramão do sexismo, todos nós, TODOS NÓS, temos o direito de ter nossas vozes ouvidas e nossas falas respeitadas, independente do gênero que possuímos. Por isso, deixa ela falar!

Links Interessantes sobre o tema:
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*Pontos retirados do texto da Carta Capital, último link disponibilizado.


3 comentários sobre “MANUELA D’AVILA NO RODA VIVA”

  1. Excelente texto minha querida. Me lembra até algumas situações na sala de aula, quando as mulheres precisam gritar para serem ouvidas. Eu não cheguei a ver a entrevista toda da Manuela, mas o pouco que eu vi seu pra perceber não só as interrupções e grosserias, como os olhares maldosos, o tom com um certo deboche e superioridade como se ela fosse uma pessoa estúpida e inferior. Muito triste ver isso logo de uma emissora que sempre foi cautelosa nesse sentido. Que tempos de merda que estamos vivenciando!!!!

    1. Acredita que pensei exatamente nas nossas aulas, enquanto escrevia? Sempre fico refletindo sobre como o machismo é silencioso. Ou no nosso caso barulhento kkk Mas, foi exatamente esse o meu sentimento sobre a emissora e sobre tudo que temos visto: uma M* total!

  2. Não quero canonizar a competência dos jornalistas do Roda Viva que, ao longo dos anos, foram regredindo em perguntas inteligentes e imparciais; mas isto se deve, de forma geral, à doutrinação nas universidades e aos métodos educacionais fracassados que ainda imperam no nosso sistema. De fato, todos os pré-candidatos tinham o direito de serem respeitados em suas falas. Mas não vejo o problema das interrupções durante o programa como sendo algo “machista”. Não é porque ela é mulher que foi interrompida. Não podemos nos esquecer que a Manuela D’Ávila pertence ao Partido COMUNISTA do Brasil. O comunismo foi um regime que matou cerca de 100 milhões de pessoas só em um século; e ver uma pessoa (não por ser mulher) defendendo tal regime, o mesmo de Cuba, Venezuela e Coreia do Norte, fomentam muitos questionamentos apaixonados; alguns até irascíveis.

    Sinceramente, ainda estou tentando encontrar algo machista na entrevista dela, algo que mostre claramente que o ataque foi por ela ser uma mulher.

    Tamires, peço que me aponte os machismos.

    Será que eu seria machista se afirmasse que a “Carta Capital”, na qual você utilizou de alguns pontos para escrever seu artigo, apóia o comunismo descaradamente?

    Quer dizer que só existe o conservadorismo machista? Só os machos são conservadores? Sei…

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