ÚNICO

Sobre ser você e ser os outros!

Esses dias estava conversando uma amiga sobre um dos textos que postei, “Quando o seu amor morrer”. Foi uma conversa rápida, mas que já me rendeu muitas reflexões – já perdi as contas de quantas se transformaram em textos por aqui. Ela disse que desejava que seu namorado encontrasse outra pessoa caso ela partisse primeiro; disse também que não tinha medo sobre ele esquecer do que viveu com ela, simplesmente porque ela era única na vida dele assim como todo mundo é único na vida do outro, só não percebe.

Eu poderia acabar o texto de hoje por aqui e dar como encerrada minha missão de refletir sobre a vida que passa diante de nós sem que a percebamos. Acontece que essa frase caiu como um soco no estômago, como uma facada no peito, como um silêncio no caos.

Fui transportada as inúmeras vezes em que desejei esse “ser único”, em que ambicionei essa identidade, essa “cara”, esse jeito. Essa Tamires que seria tão única a ponto de ser “eu” e, assim, sendo eu, faria com que todos vissem quem de fato eu era, o que de fato eu pensava e como eu de fato vivia. Então, busquei esse “eu”, ah como busquei esse “eu”... Eu queria ser única para mim na mesma medida em que eu era única para o outro. Queria que minha ausência causasse uma saudade boa na vida de alguém, assim como a ausência dos meus causava em mim. Eu queria ser especial, queria ser inspiradora, queria ser lembrada.

E, nesse mar de querer, descobri que essa busca era pesada demais para quem não sabia quem era. Descobri que essa busca era na verdade infinita para aqueles que não sabiam ser com os outros. Entendi, quando parei de procurar entender, que só sou “eu “quando sou “nós”.
Foi nesse dia em que parei de buscar qualquer coisa que fosse minha, qualquer coisa que fosse atoa, para enfim buscar alguma coisa que fosse nossa, alguma coisa que fosse útil. Fui ser parte do mundo, para ele ser parte de mim.

Lembrei até de uma música, que não ouvia há muito tempo, mas que gosto tanto, da Banda Dona Joana – Invisível Eu. Ela critica essa nossa falta de identidade diante da rotina dos dias, do peso do trabalho, diante da forma bruta em que ser qualquer coisa nos tira daquilo que somos.

“Despido de qualquer vontade
De saber se existo de
Verdade,
Vejo que minha identidade
São só uns números no
Meu rg.
Previsível,
Imperceptível,
Praticamente invisível, eu.”

Sei lá, minha mente está vagando por esses pensamentos todos... Nesse caminho, descobri que única eu já sou, sempre fui. Só não tinha percebido!

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