AQUELE “OI” SEM GRAÇA

Quando você é amigo do outro, mas o outro…

Acontece assim: você está andando na rua tranquilamente e avista um amigo que não vê há muito tempo de longe. Seus olhos brilham, seu coração dispara, você mal consegue disfarçar a alegria em ver aquela pessoa tão querida. Não importa se vocês se veem pouco, o que importa é que agora aquela pessoinha está ali, diante de você. Então, à medida que ela se aproxima, você prepara o sorriso, vai parando o passo e mexe os braços como que ensaiando um abraço, para que caso ele aconteça, você já esteja pronto. E vai contando cada segundo, olhando só para a pessoa. Quando finalmente fica do lado dela, você fala entusiasmo, sorrindo largo e na melhor hora, no grande momento, no ápice do diálogo, você recebe de volta um “Oi”. Um “Oi” que às vezes nem sorriso tem.

A pessoa vai andando como se você não existisse, deixando a clara mensagem que ver você não alterou em nada o dia dela e o sentimento de “sou uma idiota” fica ali, pairando na sua cabeça. Sua cabeça inclusive, acredita que a rua inteira viu que você foi deixado no “Vácuo” e feito de trouxa. A rua inteira viu que você amou e não foi correspondido. Isso aconteceu comigo hoje, ali perto da Porto da Rocha. Isso já aconteceu comigo várias vezes. Tantas, que nem sem mais quantas.

Todas às vezes que alguém faz isso comigo, fico meio sem ação, sem costume. Tendo a olhar em volta e perceber se alguém percebeu o que só eu percebi. Dá um incomodo danado pensar que talvez você seja mais amigo do outro, do que ele seja seu. Dá um incomodo danado pensar que às vezes nos importamos muito com alguém, e esse mesmo alguém não se importa tanto assim com a gente. E, essa falta de importância nem é maldade, só é o jeito de cada um colocar pesos na vida e nas relações. Pensei que relação fosse troca, mas relação é encontro. Precisa acontecer no mesmo tempo e no mesmo lugar; tanto para mim, quanto para o outro. Quando o meu relógio bate 14h e o do outro bate 14:01h, ficamos assim, com esse “Oi” sem graça na garganta, com esse “Oi” sem graça no ouvido.

Quando as pessoas fazem isso, isso de não me dar o que espero, isso de não retribuir da mesma forma ou com a mesma intensidade que dou, me desespero um pouco no início. Depois, compreendo que tudo bem algumas vezes sentirmos mais que os outros. Ninguém é obrigado a nos amar da mesma maneira que o amamos. O que não pode é sempre, o que não pode é dor. O que não pode é achar que para dar, é preciso receber. Porque amor não se cobra, se oferece. Se a pessoa não aceita, procuramos quem queira. O que não pode é dor.

E assim, tirei aquele “Oi” sem graça da cabeça. Não gosto de nada que não tenha graça. Desejo amor, mesmo para quem não me deseja nada!

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