DIA DOS AVÓS

No meu tempo, isso tudo aqui era mato!

“[...] a figura clássica da vovozinha sentada na cadeira de balanço, cabelos brancos, fazendo tricô ou crochê, vem dando lugar ao exercício de outras ações sociais” (Vitale, 2005, p.101).

Ontem, 26 de julho, comemoramos o Dia Internacional dos Avós. A data, nascida a partir da busca de Dona Aninhas em Portugal, é celebrada em lembrança aos avós de Jesus, pais da Virgem Maria – no cristianismo, considerada como mãe do menino Deus –, Santa Ana e São Joaquim. Nas redes sociais e nos grupos de whatsapp não se falava de outra coisa e os famosos “bom dia” vieram cheios de imagens que marcavam esse período.

Esse dia chegou aos poucos nos calendários e deixou uma leve sensação de ter sido colocado delicadamente ali. A ideia de relação entre o dia dos avós e, uma necessária guinada no comércio em épocas de baixa temporada de vendas, não fica muito distante da realidade. E, sendo real, cruza com a possibilidade de que é preciso valorizar uma camada da população que cresce cada dia mais. Afinal de contas, os povos estão envelhecendo na mesma medida em que o mundo parece mais jovem.

Falando em juventude, a ideia de avós que trazemos no imaginário coletivo talvez esteja um pouco empoeirada demais na era do conhecimento e da informação. Mais e mais pessoas tem se tornado avós mais cedo que antes ou, melhor que isso, tem tornado sua mentalidade mais jovem que antes. Avós não são mais aqueles idosos cansados, sentados nos cantos das salas e nas cabeceiras das mesas. Avós são ativos, vivos e dinâmicos. São pessoas. É que por um tempo, esquecemos que o eram, que ainda pulsavam. Talvez as rugas tenham nos enganado, talvez estar vivo tenha outro sentido hoje.

              Charge extraída do Site: Professor Júlio S. Campos

Aos avós que são de fato idosos e que sim, estão sentados nos cantos das salas e nas cabeceiras das mesas, deixamos o pouco. O silêncio, que parece nato neles, na verdade é só a forma doce em que nos chamam para conversar, em que deixam precisam de nossos ouvidos jovens para contar suas histórias, de nossas mãos mais ágeis para pegar coisas distantes, de nossos olhos mais claros para enxergar receitas e jornais, de nossos corpos mais fortes para levar os deles. E tudo isso, tudo isso é só a forma doce em que se deixam precisar de nós.

Na nossa sociedade, sedenta de hoje e de agora, que esquece o ontem, que “ansializa” o futuro, que desconta no agora a culpa das coisas que nem sequer tentou ou viveu, nessa sociedade, não temos espaço para o rio que corre mais lento. Colocamos de lado os que não se parecem mais com o padrão ideal de vida. Porque a vida, essa coisa que nos acompanha, esse sopro que nos faz ser quem somos, ela parece só existir dos 15 aos 50 anos. Antes disso, nada importa, depois disso tudo é velho.

No fim, no dia dos avós, que possamos olhar mais otimistas essa aventura que é envelhecer, essa oportunidade que é estar em um mundo tão lindo e grandioso por mais tempo. Aos idosos, vida! Que ela não se esgote, que ela não se conte a partir do tempo que passou – l mesmo que esse tempo pareça ser maior do que aquele que ainda virá – que se conta pelo hoje, pelo agora. Aos jovens, a nós, entendimento! Precisamos de mais sabedoria para fazer as escolhas certas e para valorizar as pessoas certas. Que possamos ser os ouvidos atentos, as mãos ágeis, os olhos mais claros, os corpos mais fortes. Estamos fazendo muito pouco por eles!

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