AMIGOS DO FACEBOOK

É melhor Jair Estudando!

Não sei vocês, mas meu facebook anda meio estranho!

Ontem à noite, antes de dormir, dei aquela tradicional conferida nas redes sociais e, para minha surpresa, havia um cheiro meio ruim no ar. Cheiro de superficialidade.

Em cada frase de legenda, em cada post compartilhado, eu conseguia ver aquilo que mais se destaca neles: nada! Discursos que transbordavam senso comum com coisa nenhuma caiam aos montes em minhas mãos e, a ideia do feed sem fim, me trazia certo tremor nos dedos diante de tanta ausência. Um dos meus amigos dizia que apenas os professores de história maconheiros e o imigrante ilegal da família não apoiavam Trump, ri muito. Outro, que eu achei sensacional, trazia a imagem de Bolsonaro no Roda Viva e todos os entrevistadores dele com a foice e o machado comunista no rosto; a legenda dizia que a bancada que o entrevistou não era imparcial. Lembrei de Manuella D’ Ávila, ri muito também! E o outro, com a frase do “mito”, dizendo que os negros procuravam os portugueses para serem escravizados. Gente, como eu ri. Mas, ri de nervoso. Ri de medo. Um riso que beirou o choro, diante de tanta b...

Comecei a pensar sobre essa coisa toda de ter amigos na internet e sobre como esses meus amigos veem o mundo. Me assustou entender que esses amigos são reflexos de uma realidade maior. Como pode o mundo inteiro caber certinho na minha linha do tempo? Como pode não caber? Toda essa certeza me espantou.

Fiquei um tempo navegando nesses pensamentos de amizade e de como essas relações tem sido superadas ou destruídas pela maneira como nos posicionamos na internet, em especial no facebook, que é sem dúvida, a maior janela de informação e desinformação que a rede apresenta. Olhei as brigas ferrenhas dos comentários, os tuítes regados a Fake News e o jeitinho maroto, quase que naturalizado já, de permanecer na superfície de tudo, de opinar sobre tudo e de fazer isso tudo sem conhecer nem sequer um pouco do que se fala. Só se fala. Se fala muito. Não se pensa nada.

Encostei a cabeça no travesseiro e dormi tranquila quando percebi que algumas postagens sensatas ainda boiavam sossegadas, de colete salva vidas, naquele mar de ignorância.

Essas pessoas, essas últimas, as que usam coletes, essas quero chamar de amigos. Elas sim, mergulham no mar da sociedade, nadam nas águas das ciências, olham de perto os peixes do conhecimento. Quem fica só na beirinha, molhando o pé e dizendo que lá dentro é fundo demais, esses considero colegas, conhecidos. O facebook deveria deixar essa opção mais clara do que já é!

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