A REVOLUÇÃO DOS BICHOS

George Orweel

“Quatro patas bom, duas patas ruim!”

"Então, camaradas, qual é a natureza desta nossa vida? Enfrentemos a realidade: nossa vida é miserável, trabalhosa e curta. Nascemos, recebemos o mínimo alimento necessário para continuar respirando, e os que podem trabalhar são exigidos até a última parcela de suas forças; no instante em que nossa utilidade acaba, trucidam-nos com hedionda crueldade.”

 

A roda da vida gira, o mundo muda, conceitos se reconstroem enquanto outros se desfazem, mas algumas coisas permanecem iguais. Entre essas que nunca mudam encontramos o brilhantismo de George Orweel em suas ácidas e diretas críticas aos sistemas de regimes totalitários. O autor, já falecido, foi um dos grandes nomes do século XX traduzindo em literatura os desafios enfrentados nesse período. Em Revolução dos Bichos, Orweel nos transporta a um estado de reflexão, que tão intenso transforma a fábula em realidade. Ou a realidade transforma a fábula? Difícil saber, fácil entender!

O livro é dividido em dez capítulos, em com cerca de 140 a 150 páginas no total – dependendo da edição. Bem curta e enxuta, a história segue uma linha reta de evolução, que desemboca em um final surpreendente, bem ao estilo do autor. Enquanto a sutileza e complexidade de seus personagens trazem beleza à história. As referências ao período histórico em que a obra está inserida constroem o ponto principal da trama e é, sem dúvida, a grande responsável pela genialidade dessa escrita.

Em sua trama, Orweel conta a história da Granja do Solar e como ela passa a ser a Granja dos Bichos. Essa mudança, fundamental ao longo do desenvolvimento do livro, nasce do sonho de Major, um porco, que acredita em uma sociedade mais justa e igualitária, onde os animais tenham as mesmas condições de vida que os humanos. A história se passa em uma fazenda na Inglaterra e trabalha a estreita relação entre as ideias sociais que construímos e suas aplicações práticas frente ao caráter alheio.

Usando a fábula como narrativa, o autor dá vida a animais que remontam características humanas a fim de repensar a realidade. É nela que a analogia entre a história da Granja do Solar e o cotidiano europeu são traçados. Nessa composição, o cunho educativo da obra é pode ser visto, amplamente discutido e usado como sabedoria popular sempre a racionalidade dita como adulta não dá conta de explicar a multiplicidade da vida.

O ponto mais marcante de Revolução dos Bichos é a dura crítica ao sistema de regimes totalitários. A corrupção e a deturpação dos princípios revolucionários são confrontadas a todo o momento ao longo da obra e fazem o leitor pensar sobre o quanto as ideologias estão atreladas a interesses particulares e não apenas a movimentos; deixando claro que as ideais sociais nem sempre são puramente sociais.

Todo o processo dessa obra remonta a uma longa história do autor. George Orweel era o pseudônimo de Eric Arthur Blair, escritor, jornalista e ensaísta político inglês, dono de um dos maiores livros do último século, 1984, onde também remonta a questão totalitária, agora a luz do romance. George era comunista e deixa claro que ao escrever Revolução dos Bichos critica o stalinismo, que em sua concepção deturpou os ideais do governo nos quais ele acreditava.

A história, assim como outros de seus livros, virou cinema sob o mesmo título. Lançado por volta dos anos 90, com a direção de John Halas e Joy Batchelor, o longa tem várias adaptações, em animação e mais realista. Ainda não tive a oportunidade de assistir nenhuma delas, mas não tenho dúvidas de que a atmosfera de ponderação e análise ronda a história.

Sou muito suspeita ao falar de George Orweel, já que o considero um dos grandes nomes da literatura e olho seus livros quase como patrimônios culturais tombados. Foi ele, Orweel, que mais usou a literatura como instrumento de mudança e consciência social, transformando o ato de ler e escrever em um ato político.

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