PESSOAS E SEUS COCÔS

Sobre como enxergamos o outro!

Não consigo imaginar algumas pessoas fazendo cocô. Não sei se é assim com todo mundo. Sei que eu não consigo nem sequer julgar a mínima possibilidade de ver algumas pessoas fazendo qualquer coisa que as tire da posição elevada em que as coloquei. Alguns pessoas não nasceram para varrer a casa, ariar panelas e desinfetar privadas. Alguns pessoas não podem ser vistos cozinhando, lavando o carro ou arrumando a cozinha após o jantar. Cocô então, elas nunca fazem. Jamais. Em hipótese alguma!

Sim. É verdade. Não temos como fugir. Nem todos nascem para serem estrelas. Eu, por exemplo, é muito fácil me imaginar lavando louça, com os cabelos para cima e as unhas por fazer. Mas vocês jamais imaginariam isso da Sandy ou de qualquer pessoa que tenham colocado ao lado dela no que diz respeito a merecimento. Sandys são únicas, fortes e servem para incrementar a vida com seus dons e sua beleza. Nós, seres humanos comuns e simples, rotineiros e usuais, nós sim, nascemos para isso. Nascemos para fazer cocô.

Talvez, esse meu bloqueio da realidade seja fruto da beleza. Essa menina intrinsecamente malvada, que ora vem cochichar no meu ouvido que é possível tê-la, ora mostra sua fase mais cruel, deixando claro a maneira assustadora em que ela parece destinada apenas a uns poucos eleitos. É que ela nem sempre é natural, é inerente. Na maioria das vezes, a tal beleza não passa de uma coroa, colocada cuidadosamente na cabeça de algumas pessoas; enquanto outras, como cães a buscar sobras nas mesas, rodam dando voltas no mundo à procura de um padrão que em que não cabem.

E, toda essa loucura sobre cocô e sobre beleza, me fez pensar nas vezes em que atribuí o melhor ao outro e não a mim. Na forma fria e dura em que me tratei em detrimento ao comportamento doce e gentil que tive com os outros, que tive com a beleza alheia e que não tive com a minha, que tive com o cocô alheio e não tive com o meu. Nesses pensamentos todos, entendi que a imagem que faço do outro está diretamente ligada à imagem que faço de mim mesma e nesse looping incrível de ver o outro e ver a mim, só as diferenças podem somar mais que as semelhanças. Semelhanças essas que no fim são nativas, genuínas e humanas.

Por isso, quando eu fizer cocô de novo, vou ficar feliz em lembrar que todo mundo também faz, da mesma forma que todo mundo é bonito, mesmo que às vezes a gente não veja essa beleza toda!

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