A PERA É UMA PERA

Comparar-se!

Esses dias, entre as centenas de vídeos que consumo no youtube (infelizmente não lembro qual foi, acredito ser da Jout Jout), me deparei com uma frase pequena, simples e que me causou algumas reflexões bem incômodas. Falando sobre autoimagem e comparação ela disse algo como “Uma pera é uma pera. Uma pera não quer ser outra coisa, ela é uma pera e pronto”. Nesse exato momento, o que parecia ser só engraçado transformou-se em uma grande ponte, me ligando aquilo de fato eu era com aquilo que eu acreditava que era. Eu era? Comecei a pensar...

As centenas de vezes em que me comparei a pessoas que de fato não representavam um centímetro daquilo que eu acreditava ou buscava, simplesmente porque socialmente talvez elas fossem mais aceitas que eu, percorreram minha mente, invadindo as lembranças de uma adolescência que parecia ter morrido. Quando na verdade, estavam bem vivas em alguma esquina dentro de mim. É que quando eu não sabia muito bem quem era, fiquei tentada a me encaixar no primeiro espaço que garantisse pertencimento. E como isso é cruel.

Tudo é muito mais fácil quando se é criança, quando não se tem um espelho ou quando se amadurece. Nesses três casos o ato de comparar-se com outra pessoa é tão pequeno e impossível que simplesmente esquecemo-nos de fazê-lo. Ocupados de si, não nos ocupamos dos outros. E os outros, meu Deus os outros, como nos medidos por eles. Como nos medidos por centímetros que fogem aos nossos tamanhos. Tentamos encaixar calças 34 em almas que vestem 50, tentamos fazer caber camisas G em corações que usam P. Tentamos encaixar nosso eu no eu de um outro alguém que nem sabemos quem é, só sabemos existir.

Pensei também nas vezes em que me comparei a mim mesma. Cobrando que existisse agora e rápido, agora e meu, agora e insano, aquilo que eu era um dia e aquilo que eu ainda deveria ser. Cobrando algo que não existe mais. Cobrando algo que ainda nem existe. Sem perceber que a pera é uma pera. Sem perceber que uma pera não pode ser outra coisa, ela é uma pera e pronto.

Queria achar impressionante o impacto que o outro pode fazer nas nossas vidas. Mas, muito mais impressionante que isso, é o impacto que nós mesmos deixamos acontecer. Algumas vezes, comemos a tal pera e no ato de morder, ouvimos mais a opinião que formamos sobre nós do que aquilo que de fato somos.

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