PROFESSOR AGREDIDO NO RIO

O colapso de uma nação é medido pelo colapso da educação!

Na última terça-feira assistimos chocados à agressão sofrida pelo professor de Língua Portuguesa, Thiago dos Santos Conceição. O evento de violência aconteceu em Rio das Ostras e mostra o total desrespeito ao docente enquanto tentava aplicar uma prova a turma. Os alunos lançam objetos, dizem palavras de ódio e xingamentos, destroem um quadro e, assim, criam uma atmosfera de medo e tensão em um ambiente que deveria gerar conhecimento e descobertas.

A educação, muitas vezes romanceada, enfrenta grandes desafios em uma sociedade que não reconhece sua importância na formação e na construção de sua nação. Os professores, que tem sua escolha profissional tratada exclusivamente como vocação divina ou saída para a falta de opções do mercado, perde o caráter científico e ganha ar de barganha. Principalmente em períodos eleitorais, como o atual. É assim que um direito constitucional se transforma em privilégio.

A lógica educacional brasileira é completamente controversa: alunos de periferia estudam em escolas públicas sucateadas e enfrentam, na fase do ensino superior, o desafio de trabalhar e estudar para manter em dia as mensalidades de uma faculdade particular que não atende as exigências do mercado. Enquanto isso, alunos de classes sociais mais elevadas, frequentam escolas particulares durante toda a infância e adolescência, pagando a um alto preço cursos pré-vestibulares e tem sua permanência na faculdade pública federal custeada por seus pais. Aos alunos pobres que, caminhando pelas brechas, conseguem ingressar nas tão disputadas faculdades públicas, é vendida a ideia torta de meritocracia.

Nessa linha de pensamento, o completo abandono dos CIEPs – escola na qual a agressão acontece – confirma a ideia de que o acesso a um ensino de qualidade é realmente para poucos. Os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), projetados para abrigar alunos em período integral, oferecer atividades culturais, aulas de educação física, além de estudos dirigidos, foi morrendo aos poucos diante de governos que não compreenderam a grandiosidade de suas intenções. Ao longo dos anos, os CIEPs em sua maioria tornaram-se locais de extensão da violência pública e ponto de referência para alunos desacreditados pelo sistema. Ambos, resultados de políticas públicas do Estado. Ou da ausência delas.

A negligência familiar é outro fator preocupante. Quando os pais transferem para a escola a responsabilidade de uma educação moral, a criação de valores e da geração de respeito, algo precisa ser profundamente avaliado. O conhecimento sistemático, voltado à ciência, há muito tempo deixou de ocupar o lugar mais importante da grande mesa da educação. Jogado as migalhas, ele agora é um troféu, protegido com unhas e dentes e entregue aos poucos guerreiros que ousam conseguir a façanha de aplicar o conteúdo planejado sem interferências que o façam paralisar.

Charge do Site Jornal do Estudante

No caldeirão que é a escola pública a figura do diretor também é questionada. Inúmeras são as reclamações sobre a ausência de um líder que oriente, coordene, aconselhe, compreenda os processos pedagógicos e as realidades em que seus alunos estão inseridos. Inúmeras são as reclamações sobre a carga administrativa que os diretores têm enfrentado, ocupando suas rotinas, corroendo seu tempo e matando assim, a pequenos golpes, uma educação já desfalecida.

No fim, aos professores, formados para formar, fica apenas o nó na garganta, o medo na voz, o vazio da escolha. Sentimentos gerados pela certeza fria de que a mão do governo, que tanto cobra e fiscaliza, não é a mesma que apoia e incentiva. Sentimentos gerados pela pergunta insistente, que martela os ouvidos, como martelou a de Thiago ao ver um objeto voando em sua direção: “queria que pegasse em mim?”.

Links sobre o tema:
Professor agredido em sala de aula no RJ diz que chegou a pedir ajuda, mas não teve apoio
Em vídeo, estudante pede desculpa para professor que foi humilhado e agredido em sala de aula no RJ
Vídeo mostra alunos agredindo e humilhando professor em Rio das Ostras

Deixe uma resposta