UM MAIS UM, IGUAL A CAIXA 2

“Caixa 2 acima de Tudo. Fake News acima de todos!”

Essa semana o escândalo milionário envolvendo o candidato Jair Bolsonaro ganhou bastante espaço nas redes sociais. Na internet as manobras contendo o whatsapp na divulgação de Fake News que difamaram - e ainda difamam - o candidato da oposição deixou claro que o aclamado jogo honesto, pode não ser tão honesto assim. O caso diz respeito ao investimento de empresas privadas na campanha do candidato e trouxe a tona um lado até agora “desconhecido” pela justiça eleitoral, o digital.

As acusações foram amplamente discutidas por uma parcela dos eleitores brasileiros, enquanto a outra, parece ter ignorado completamente o fato. Assim como as facadas que assassinaram o capoeirista Moa, as acusações de caixa 2, parecem não ter acontecido. Desde grandes jornais até as conversas de bar, os supostos crimes eleitorais ficaram escondidos atrás do muro, quietinhos, esquecidos, como se sua gravidade não afetasse diretamente o processo político e democrático. Embora inúmeros artistas e centenas de publicações evidenciem o dito crime, fingimos não olhar sua cara feia de perto, fingimos não sentir sua respiração em nosso “cangote”.

Dentro desse contexto, a grande questão a ser discutida agora passa pela forma dura e inacreditável do alcance das redes sociais na tomada de decisão da sociedade. O whatsapp – já tão natural quanto à água que bebemos – é popular, acessível, de fácil compreensão e chega a todas as camadas sociais, principalmente as mais pobres e menos intelectualizadas. Todo esse combustível encontra o lugar perfeito para explodir quando acompanhado do caráter altamente superficial da era da informação, onde apenas as manchetes são suficientes para dar conta da complexidade que o conhecimento abraça. Tudo isso, sem esquecer-se de comentar a cerca dos vídeos e áudios, editados e manipulados, que são diariamente encarados como verdade.

Charge retirada do Blog do Alaor Fermino

Pensando nisso, entendemos como funciona o mecanismo do discurso e das ideias, ambos vazios, do candidato acusado.

O governo, somente após ser pressionado, reagiu, ainda assim de forma evasiva, adianto entrevistas, promovendo reuniões internas, assumindo sem assumir nossa deficiência no combate aos crimes eleitorais digitais. Se há pouco tempo atrás Jair era tido como o Trump brasileiro, os problemas virtuais de sua campanha os deixam realmente pareô a pareô; os dois usam da boa fé das pessoas e do poder das redes sociais para difundir suas ideias, que em debates, talvez nunca fossem plenamente aceitas ou sequer entendidas.

No fim, a fala “despretensiosa” do candidato afirmando não ter controle sobre o que fazem a partir das suas ideias, dos seus discursos – tal qual disse sobre a morte de Moa – deixa cada vez mais clara sua inabilidade política e social. Diante de um país que caminha, a passos largos, ao extremismo, responsabilidade parece não ser mesmo a palavra da vez.

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