NOSSO DEUS PARTICULAR

Quem está criando quem?

Ontem tinha programado outro texto par o site e por mil motivos – aqueles chatos de rotina, diante de um dia completamente cheio de coisas para fazer e não refletir – acabei não postando. E, não postar me deixa muito irritada, aguça minha mente a trabalhar ainda mais, a refletir a vida com ainda mais afinco. Assim, enquanto trabalhava no tal texto, que também falava sobre deus a partir de outra perspectiva, me peguei pensando nos deuses que criamos. Naqueles, às vezes pequenos, às vezes tão grandes que não cabem em nós. Aqueles que criamos.

Esse pensamento ficou vagando pela minha cabeça por alguns minutos e esses minutos foram suficientes para que eu entendesse que aquele texto realmente não era o texto que eu procurava. Afinal de contas, a criação de Deus estava viva em todas as partes do meu corpo à medida que estava viva na minha mente.

Deixei então que as ideias percorressem seus próprios caminhos. Primeiro, pensei nos deuses banais, aqueles que reinam sem saber que são reis e, ainda assim, nos fazem escravos. Eles podem vir vestidos de comida, ou preferir a forma de manias, quem sabe ainda andar por aí disfarçado de objetos. Todos eles reinando absolutos sobre nós.

Depois, andando um pouco mais, encontrei deuses maiores, mais poderosos e, sendo mais poderosos, mais perigosos. E, sendo mais perigosos, mais atrativos. E, sendo mais atrativos, destruindo aos poucos nossa alma. Geralmente vêm vestidos de drogas, de compras, de jogos, de telas. Reinam destronados ou não.

No fim da estrada, dei de cara com deuses mais divinos que o próprio Deus. Esses sim fazem doer os ossos, tremer as mãos, roer os dentes. Não aparecem do nada, não são comuns, não são fáceis. São humanos. São gente. E fazem da nossa mente um celeiro crente de que precisamos mais deles do que de nós. Vêm vestidos de líderes, de amores, de amigos, de pais. São gente. São humanos. São reis e ponto.

E mesmo depois de tanto pensar, de tanto escrever, continuo me perguntando: Quem cria quem?

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