DEU A LOUCA NO BRASIL

Eleições, pensamentos coletivos e pobre de direita.

“Mas, quando conheci o Bolsonaro pessoalmente, encontrei um cara doce, um homem dos anos 1950, como meu pai, e que faz brincadeiras homofóbicas, mas é da boca pra fora, um jeito masculino que vem desde Monteiro Lobato, que chamava o brasileiro de preguiçoso e que dizia que lugar de negro é na cozinha.” Regina Duarte em entrevista ao Jornal Estadão.

Há apenas alguns dias do segundo turno das eleições presidenciais dois sentimentos parecem correr pelas ruas lado a lado, enquanto se estapeiam. O primeiro está relacionado à incansável busca em apontar – a já provada – inabilidade política e social do candidato Jair Bolsonaro. O segundo, que rema na maré contrária a lucidez, diz respeito a um movimento de conservadorismo e dominação da verdade pela força ou pela dita “legitimidade”, que cobre com ferocidade principalmente os mais jovens.

Ambos os sentimentos seguem uma estrada velha, construída há alguns anos atrás, com o “impeachment” da então Presidente Dilma Rousseff. Desde então – quem sabe até antes disso – saímos de uma não muito confortável democracia para mergulhar no buraco negro das possibilidades, que confesso não parecem nada boas vistas de longe, quem dirá quando encaradas de perto. As eleições 2018, do seu início até agora, cresceu desesperadamente em números, em vozes, em discursos. Em uma escala que nunca saiu do diálogo unilateral, até ao nível máximo da barbárie, presenciamos a corrupção institucional como único problema do Brasil, vimos à violência como principal protagonista do enredo e a esperança – fajutamente vestida de verde e amarelo – discursar ódio e retrocesso.

Toda essa realidade se constrói e se reinventa a partir de um pensamento coletivo de que é preciso mudar. É preciso. É urgente. É agora. Mude qualquer coisa que seja, qualquer coisa que faça, não importa o que faça. Mude! Apenas Mude, gritam as vozes atrás dos patos.

Charge do Insta Cartunista das Cavernas

É como se você pegasse seu marido ou sua esposa te traído no sofá vermelho da sala e ao invés de trocar de marido, de trocar de esposa, ao invés de se reinventar, você apenas trocasse de sofá; porque no fim das contas, seu marido ou sua esposa, infiéis desde o namoro, foram vítimas do cruel e insano sofá vermelho. Tudo bem... Admitimos, é verdade: o sofá vermelho está velho, desgastado, tem um buraco que não nos acomoda bem quando sentamos e, no fundo, não é a melhor opção para que o conforto seja completo. Mas ainda assim, não é único e exclusivo culpado pela decepção de uma vida inteira. Não traí a ideia real de confiança com uma moralidade própria e preconceituosa.

Acontece, que aquele que tem apenas o sofá vermelho, nada mais que ele, apenas ele, prefere ainda sim ficar sem nada, sem nenhum lugar para sentar, a perder o marido ou deixar seguir em frente sua mulher. O dito cidadão de bem, o grande pobre de direita, comprou o sofá a prazo em grandes lojas de móveis ou quem sabe, herdou em conjunto com sua fortuna milionária e desse jeito, sem ter jeito, não sente o tamanho da perda de seu lugar na sala. É melhor fingir estar bem quando na verdade as pernas doem pela falta de assento, do que assumir que sua linda esposa ou seu viril marido não são mais seus, não pertencem mais ao seleto grupo de coisas que ele possuía.

No fim, ao ligar a TV, ao entrar na internet, ao andar pelas praças, ao conversar pelos cantos, fazemos como a Regina Duarte, achamos que estamos nos 50 e que tudo bem, é só o “jeito masculino” dele, é só uma piadinha, é só uma “visão” de mundo diferente da sua. É só o autoritarismo batendo na porta, mas não ouvimos, estamos preocupados demais jogando o sofá vermelho fora pela porta dos fundos.

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2 comentários sobre “DEU A LOUCA NO BRASIL”

  1. Eu vivi os tempos de ditadura militar
    Podia ser melhor sim podia ,mais tinha ordem tinha segurança tinha emprego o país construiu pontes viadutos cidades
    E respeito.
    Agora o que estamos fazendo com essa democracia medíocre que o errado está certo e o certo está errado.obrigado

    1. Boa tarde, Jorge! Nós respeitamos a opinião de cada um de nossos leitores; por isso, obrigada por dividí-la com a gente. Mas também manifestamos nossa posição contrária a governos totalitários e ditatoriais! Mesmo que eles pareçam inofensivos quando vistos de longe…

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