EU USO ÓCULOS

Sobre as coisas que passam!

Óculos, substantivo masculino plural. Óculos, acessório usado para corrigir imperfeições visuais. Óculos, uma sina sem fim!

Eu, por exemplo, uso óculos. Porém depende!

Quando era criança, lá pela 3ª série, comecei a sentir fortes dores nos olhos e um cansaço terrível nas pálpebras. Ai não teve jeito,comecei a ter os tão temidos quatro olhos. Levei alguns bons anos com eles até decidir não querer mais. E sim, foi escolha sem orientação médica (não façam isso!). Os anos passaram, as series foram seguindo e na faculdade, com a chuva de slides, a tal dor voltou com força total! Refiz os óculos. Hoje, uso sempre que vou ao cinema, sempre que sinto dor, sempre que escrevo por longas horas,sempre que lembro. Mas a rotina dos óculos, a falta de noção da rotina com os óculos, é algo que você não esquece. Eu estava até conversando com um amigo sobre isso esses dias.

A gente fica tanto tempo de óculos que vai esquecendo que está com eles. Quando você se dá conta esta lá, pronto para o banho e com eles “na cara”. A hora de dormir é a mais clássica de todas; você segue todo o ritual do sono e quando deita com vontade, se jogando, sente aquele empurrãozinho que o travesseiro dá nas pernas do óculos, fazendo uma dorzinha atrás da orelha. São eles! E no filme em casa? Você é quase obrigado a virar uma múmia,deitado só de barriga pra cima, porque de lado a perna do dito cujo incomoda também! Mas nada mais sensacional, que colocar ele novinho e sair da ótica. A sensação é que a Terra inteira virou a Lua e que suas pernas precisam dar passos muito grandes para passar os buracos gigantescos que parecem tomar toda a cidade. Sem contar os meios fios, que se transformam no Grand Canyon. Andar virá uma aventura!

E nessa conversa de óculos, nesse papo de rotina, eu lembrei o quanto eu tinha esquecido como era isso tudo. E esqueci exatamente porque isso tudo não faz mais parte da minha rotina. Esqueci porque o óculos, que antes era quase uma parte do meu corpo, uma extensão dos olhos, virou só uma lembrança boa, uma memória engraçada. Virou um socorro nas horas que mais preciso. Virou só um óculos, deixou de ser eu. Deixou de ser. Deixou de estarem mim.

Pensei nas tantas coisas que já foram e que hoje não são mais. Nas pessoas, nos lugares, nos hábitos, nos gostos, cheiros, sabores, olhares.Pensei em tudo que representou e simbolizou um pedaço que na hora era imprescindível,incalculável, inestimável e hoje… é só um pedaço. Ou porque eu aprendi lidar e nos tornamos melhores – como eu e o meu óculos – ou porque só deixou de ser mesmo.Porque passou. E tudo bem passar. As cosias passam. Os óculos deixam de ser imprescindíveis.

Muita coisa deixou de ser fundamental esse ano. E Muita cosia vai deixar de ser no próximo. Mas uma coisa continua certa, em filmes 3D, estarei lá com o óculos de grau por baixo do óculos de animação; fazendo um jogo de  equilibro com a cabeça, enquanto com a pipoca. É que algumas coisas, deixam de ser incalculáveis, inestimáveis, mas deixam marcas!

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