DAMARES E A NOVA ERA BOLSONARO

É menino ou menina?

O governo Bolsonaro, que embora tenha começado oficialmente dia primeiro de janeiro, já era ensaiado em seus discursos ao longo do processo de campanha e inflado por seus eleitores, a beira de um fanatismo doentio. Com menos de uma semana de mandato os efeitos de suas medidas afetam de forma massacrante as minorias, reforçando a máxima do então presidente, de que “no Brasil temos muitos direitos”.

Damares Alves, ministra da pasta Mulher, Família e Direitos Humanos, deixou claro no vídeo que circula após sua posse, que tipo de mulher, que tipo de família e quais direitos humanos seu governo vai buscar atender. Em uma fala que fere o direito de autodeterminação e provoca de maneira contundente seguimentos sociais, como o LGBTQI+, Damares não usa metáforas, usa de forma clara, aberta, seu posicionamento e todo o viés ideológico que embasa suas ações. A desculpa rala de que usamos novembro azul, trabalhamos pelo outubro rosa, em nada diminui o impacto de sua fala. Ao contrário, nos trás ainda mais a realidade do quanto esse tipo de rótulo, esse tipo de slogan, precisa ser quebrado e resignificado na nossa sociedade.  Parece pequeno, parecem só palavras. Mas palavras dizem mais do que imaginamos. E, talvez, seja esse nosso maior desafio frente à nova ministra, frente ao novo governo, ler além das palavras. Entender as intenções dos atos e não só os atos.

Declaração de Damares Alves
(Vídeo compartilhado do Canal Blog do Anderson)

“Menino veste azul e menina veste rosa” chega pingar conteúdo religioso, escorre nos dedos o preconceito moralista, que nada tem a ver com fé.  Com a avalanche da bancada cristão no senado e nas câmaras, o aumento do conservadorismo – seja ele cristão católico ou cristão protestante – tornou o Brasil o cenário perfeito para externalizar tudo aquilo que antes era feito sobre a justificativa do “não sou contra, só não sou obrigada a aceitar isso”. Ao dizer que seu objetivo é acabar com a dúvida das crianças, Damares instalou certezas em nós adultos. Uma certeza dura e amarga, que nos lembra em rede nacional do quanto à fé, no Brasil, tem cor, tem classe social e define as diretrizes do Estado.

Em uma estrada de mão única, o governo bolsonarista, representado por Damares, já prioriza o econômico em detrimento ao social. Se Lula foi considerado o pai dos pobres, em referência a Getúlio Vargas, Jair conseguiu em quatro dias, ser o antagonista, ser o total oposto, ser menos do povo do que qualquer outro foi. Afinal de contas, seu povo não é todo povo, seu povo é apenas uma camada do todo. Assim como a ministra dos direitos humanos, que escolhe quem deve recebê-los. Todo esse privilégio, visto pelas classes mais altas de cima de suas coberturas de frente ao mar, parecem não existir em um país perfeito que aparenta apenas precisar de reformas econômicas e jamais ter sido o cenário de preconceitos e injustiças sociais.

Enquanto isso, casos de corrupção ligados a Família Bolsonaro são ignorados.
(Charge do site Humor Político)

Com um número infinito de pots e reações, nos mobilizamos na internet, nos colocamos contra em memes irônicos e nos fazemos valer da janela de oportunidade que o mundo possível da conexão nos trouxe. Enquanto isso, do lado de fora, onde o capitão segue as ordens de seus comandados, liderando com corda frouxa e indecisa o jorrão da extrema direita, não vemos nada concreto, não sentimos nada real. Damares, que usou azul no dia seguinte a sua fala, segue sem medo de suas convicções, que não convicções, são facas de dois gumes.  A esquerda, paralisada, assiste em prantos a demência social.

É como olhar o céu armando tempestades e, ainda sim, deixar calmamente estendida no varal as poucas roupas limpas que restam. Falta o impulso de fiscalizar, de escandalizar aquilo que não nos cabe. Talvez existam de fato outras e novas formas de lutas em oposição a sistemas de governos que não representam as maiorias, vistas como minorias. Talvez seja mesmo a era da internet e da revolução do pensamento. Mas no balaio de ações, no balaio das nossas ações, talvez ainda falte cor. É isso, nos falta cor. Precisamos do colorido. Precisamos de mais. Vestir apenas azul e rosa é muito pouco para um país tão plural quanto o nosso!

Links interessantes sobre o tema:

Em vídeo, Damares diz que ‘nova era’ começou: ‘meninos vestem azul e meninas vestem rosa’.
Os estereótipos de gênero afetam o que as meninas e os meninos escolhem como profissão no futuro.
Damares diz que não se arrepende de frase polêmica e que nenhum direito adquirido será retirado.

One Reply to “DAMARES E A NOVA ERA BOLSONARO”

  1. Tamires, a Damares fez uma metáfora ao afirmar que menino veste azul, e menina, rosa. Obviamente ela estava combatendo a ideologia de gênero e não impondo regras na vestimenta das crianças. Mas a mídia não entende metáforas, pois é formada, majoritariamente, por analfabetos funcionais. Pensei que você não cairia nessa. Já que me bloqueou no seu Facebook, só restou vir aqui e te alertar o quanto que você mudou, o quanto que esse curso de história distorceu sua visão da realidade e valores. Não espero receber sua atenção, mas realmente não escondo a decepção em ver os discursos que você adotou. Aprendeu a ignorar quem pensa diferente de você, não é? Acha inútil ou estressante argumentar com pessoas assim? Então, de fato, não há interesse de sua parte na busca pela verdade; só há interesse na exposição “crítica” de tudo, como muito bem ensinam muitos professores universitários de cursos de humanas. Mas não há novidade nisso, uma vez que o marxismo impera nesses ambientes. Triste por você. Deus a abençoe.

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