SÓ LEIA SE VOCÊ SOUBER FALAR INGRÊS!

Sobre a viagem de um presidente e a prisão de outro.

Seu João anda pelas ruas do seu bairro, voltando da padaria pela manhã. O dia é tranquilo, finalmente nublado, depois do calor infernal das últimas semanas.

Sem querer, ele percebe no terreno baldio, ao lado da sua casa, uma enorme, gigante, monumental, desproporcional, placa de outdoor. Ao ler, não acredita no que está vendo, fica maravilhado e ali fica, parado, paralisado, em frente a ela, sem conseguir dar um passo sequer.

Seu Joaquim, que saía para o trabalho, percebe Seu João em frente à placa e decidi ver mais de perto, por um minuto, o que o vizinho olhava com cara de admirado. Ao ler, também paralisou, parou, também ficou.

Logo depois, veio Seu José, que caminhava com o cachorro. Vendo Seu João e Seu Joaquim, como dois postes em frente à placa, chegou perto também. E assim, depois de ler, parou, paralisou, ficando ali, ao lado deles.

Vendo os três,vierem também Seu Zé, Dona Ana, Seu Francisco, Dona Vilma, Seu Marcos, Dona Letícia, Seu Dirceu, Dona Maria, Seu Paulo. Vieram tantos, mais tantos, que o terreno ficou pequeno para a quantidade de pessoas paradas em frente à placa.

Chegaram também jornalistas, muitos câmeras, equipes completas dos jornais de tv, filmando e passando ao vivo o curioso caso do bairro Vivendas da Barra; precisaram chamar a polícia, montar fitas de contenção para que ninguém tocasse na placa; vieram também os bombeiros, acudindo aqueles que passavam mal em meio a multidão. O número de pessoas já passava da casa dos 1.000.

Fecharam então a rua, depois todo o bairro. Em seguida, pararam o município. Ninguém mais trabalhava, dormia, comia. Todos estavam ali, parados em frente à placa.

A imprensa internacional já contava sobre o caso, fotos e mais fotos eram tiradas aos montes. Ouvia-se diferentes línguas entre os jornalistas, que vinham de todos os cantos do mundo. Nas redes sociais, todos os s top trends falavam do assunto.

Foi então que de repente, não mais que de repente, quando a noite chegou, quando o caos estava ainda mais quente, que um pequeno menino apareceu. A única criança em meio ao mar dos adultos. Ele caminhava muito, embrenhando-se entre os que se amontoavam no terreno, fazendo força com as pernas e empurrando com os braços. E assim, cansado, ficando finalmente ali, frente a frente, olhou então para a enorme, gigante, monumental, desproporcional placa de outdoor e disse:

– Não entendi nada!

– Mas não precisa entender não, menino! – respondeu Seu João – Está escrito em ingrês!

P.S.: Toda a multidão olhou rapidamente para o lado quando um vampiro passou engaiolado, voando para longe, mas não tão distante assim. Disseram que pousou em Niterói.

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