Livros Lidos

Aqui estão os meus livros favoritos!

Ao longos dos anos vamos criando sem querer uma lista interminável de livros já lidos (e isso é maravilhoso!!!). No meio dessa lista existem aqueles que foram especiais e somaram muito na construção daquilo que somos hoje. Assim, relacionei os livros mais marcantes em cada fase da minha vida para que você possa olhar de maneira mais demorada um pouco da minha história. Espero que goste!
 


Minhas Leituras de 2017

Gabriel García Márquez, O Amor nos Tempos do Cólera
Um livro sobre o amor real. Aquele que nos faz pensar entre os sentimentos que escolhemos sentir e os que simplesmente sentimos. Um livro que revira nossa maneira de ver os idosos e toda as perspectivas dessa fase da vida. Lembro que demorei muito para ler; sempre fico preza aos primeiros capítulos dos livros. Acredito que eles sejam como ladeiras, é preciso embalar para subir o resto do morro todo de uma vez, já que passado os primeiros capítulos me vi devorando o restante. Em suma, um livro daqueles para quem quer aprender a amar!

 

Aluísio Azevedo, O Cortiço
No aspecto mudança e reviravolta foi sem dúvida o livro mais consistente que li. Também sofri com ele o efeito ladeira, acredito que mais pelo vocabulário do que pelas sequências de capítulos. Mas, ao terminar veio a sensação gostosa de ter lido um trabalho incrível e bem construído. Estava estudando sobre o Rio de Janeiro nas décadas de 10  à 30 quando o li, o que me ajudou muito a montar um panorama ainda maior sobre o tema. O cortiço para mim quebrou a barreira do clássico e foi para a estande dos favoritos!

 

 

Paulo Lins, Desde que o Samba é Samba
Um livro que ganhamos é sempre um mistério. Assim foi Desde que o Samba é Samba, presente do dia dos namorados desse ano. Ele veio no mesmo momento em que o Cortiço, onde eu estudava sobre a formação do Samba no Rio de Janeiro, nessa fase mas precisamente sobre Carmem Miranda. Foi um dos livros mais diferentes que li nos últimos tempos. Não só porque misturava personagens reais e ficção, mas principalmente porque era um livro novo e eu estou acostumada a livros mais antigos. Ele representou, sem dúvida, o novo para mim em várias dimensões.

 

 

Super Interessante, E SE...
Um dos meus preferidos desse ano! Traz história, cultura, Brasil... Um livro muito diferente de todos que já li e que me conquistou pelo bom humor e pela originalidade. Quando comecei a ler queria algo leve, algo que tivesse mais a ver com entretenimento e ele casou muito bem com o que eu esperava. Um livro perfeito para relaxar e se aprofundar (até sem perceber) em conhecimentos mais amplos. Por tudo isso, achei que valia a pena construir uma resenha mais detalhada sobre ele. Para conferir, segue o link: Resenha E SE...


Austin Kleon, Mostre o Seu Trabalho
O livro do ano no que diz respeito a minha vida profissional e a criação esse espaço em si! Vi alguns posts sobre ele nas redes sociais e fiquei instigada a ler, principalmente porque estava em uma fase de mudança e de encorajamento. O livro me ajudou muito nessa transição e na formulação de como iniciar um caminho profissional. Me mostrou que é possível começar com pouco e que é preciso ir, sem muitas perspectivas, o importante é começar e compartilhar. Finalmente entendi que só saberão que eu escrevo se eu mostrar isso ao mundo (simples, muito simples, mas difícil de aprender).

 

Abby Lee, A Garota que Só Pensava Naquilo 
Encerrando o ano, refletindo minha busca pelo feminismo, resolvi dar um voto de confiança a Abby e mergulhar nesse livro. Confesso que esperava um pouco mais do que um espelho de Bridget Jones. Mas, para criar um panorama geral sobre o sexo visto por uma mulher foi legal, valeu a leitura. Gostei de olhar o tema sobre um outro ângulo, sem o peso masculino que o sexo traz, mas com a leveza e malícia feminina que a autora explorou. Um livro leve e despojado, que casou muito com minha necessidade de leitura mais relaxante nesse fim de ano puxado.

 


Minhas Leituras Atuais


Érico Veríssimo, Olhai os Lírios do Campo
Um livro doce e singelo, capaz de abrir mudanças profundas dentro da gente. Foi uma daquelas descobertas que fiz sem querer, sem procurar e que muito me alegraram. Um livro para ser lido várias vezes e vivido em inúmeros momentos. Sempre que lembro procuro na internet trechos dele, me ajudam a lembrar o que é realmente importante na vida.

 

Gabriel García Márquez, Cem Anos de Solidão
Meu primeiro contato com ele foi de estranhamento, depois desconfiança. Passei então a fase do desespero e por fim cheguei a admiração, fazendo de Gabo (apelido do autor) o meu escritor preferido. Como alguém consegue nos transpor por tantos sentimentos em uma única obra? Como falar de maneira tão direta, profunda e poética das coisas simples? Ele de alguma forma me lembra Manoel de Barros. Cem Anos de Solidão é um livro que me motivou a escrever e a amar ainda mais esse ofício.

 

 

Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser
Não chamaria a experiência de ler esse livro de leitura, mas sim de encontro. Através de Kundera mergulhei profundamente nas verdades incomodas da vida e fui obrigada pela minha consciência a desfazer muitas construções pessoais, sobre mim e sobre o mundo. Sempre que preciso, pego ele na estante com carinho e me reencontro lendo suas páginas.

 

 

Chico Buarque, Leite Derramado
Chico Buarque me levou a caminhar com meu avô pelo hospital todas as vezes em que o personagem desse livro estava em seus momentos de lucidez, lembrando sempre minha vida em paralelo a sua história. Uma narrativa tocante, que conseguiu ser breve e linda, forte e sútil.


Minhas Leituras da Adolescência

 

George Orwell, 1984
Sem sombras de dúvida esse foi o livro mais marcante da minha vida. Aquele que me transformou, me retirou da zona de conforto e me fez entender a vida como ela é de fato. Lembro de ter lido esse livro a muito tempo, quando ainda estava no ensino médio, por volta dos 17/18 anos, depois da indicação de uma amiga. Nem sonhava em me formar em História, não fazia ideia do quando ele poderia contribuir para me fazer uma pessoa mais lúcida e consciente da realidade. Na cena final, a coroação perfeita. Orwell foi genial!

 

 

George Orwell, A Revolução dos Bichos
Um daqueles livros de revirar as estruturas mentais, bem Orwell. Agressivo e direto, mas tão criativo, tão instigante, tão realista, que te faz questionar o mundo inteiro. Eu estava começando a votar e estudando para o vestibular quando li esse livro, o que foi bem impactante e decisivo nas minhas escolhas. No nosso cenário político atual, fico tentada em comprá-lo e dar de presente ao maior número de pessoas possíveis rs.

 

 

Pedro Bandeira, Coleção Os Karas
Um daqueles clássicos adolescentes que me instigaram, remexeram com o meu psicológico e me fizeram imaginar como seria minha vida se estivesse vivendo tudo aquilo. Lembro da sensação de suspense, de adrenalina, de curiosidade que eles despertavam em mim. Foi, sem dúvida, um presente e tanto descobri-los perdidos na biblioteca da escola.
Livros que li da coleção: A Droga do Amor, A Droga da Obediência e Pântano de sangue.

 

Pedro Bandeira, A Marca de Uma Lágrima
Mesmo sendo da coleção os Karas, resolvi separá-lo. Afinal, ele é um clássico para os adolescentes da minha época. De 10 pessoas que conheço, 8 leram esse livro quando tinham por volta de 13/14 anos. Lembro que quando li, tinha uns 12/13 e achei que 14 anos era uma idade muito madura para amar profundamente e viver uma linda história que iria durar a vida inteira. Desejei ardentemente ter 14 anos! Hoje percebo que se pode amar em qualquer idade, mas não com tanta profundidade assim aos 14 rs. Nessa idade, somos mais intensos que profundos. Sem dúvida, Pedro Bandeira foi um dos grande autores da minha adolescência.

 

 

Philip Norman, John Lennon - A Vida
John Lennon sempre me chamou atenção, desde criança. Até quando não entendia muito bem as ideias de suas músicas e suas ideologias, queria estar em contato com elas. Acredito que isso tenha me levado a ler a biografia dele por volta dos 13 anos e mais tarde "O Apanhador no campo de Centeio" - livro que teria motivado seu fã a assassiná-lo. Fiquei fascinada com sua história e perturbada com sua morte. Foi um livro inspirador e que diz muito sobre quem eu sou hoje. (Não encontrei o mesmo livro que li e citei esse, que nas minhas pesquisas foi o mais encontrado).


Minhas Leituras da Infância


Autor Não Encontrado, Cenoura, O Atleta
Eu ainda não sabia ler quando ganhei esse livro, mas lembro de ter me apaixonado por ele. Foi um dos primeiros livros que tive contato na vida, minha mãe lia ele para mim todos os dias antes de dormir. Me recordo de gostar das furadas em que o personagem Cenoura se metia, ficava me perguntando como ele se dava tão mal o tempo todo. Queria entrar na história e dizer a ele o que fazer!

 

Mary França, Sapato Novo
Esse livro me conquistou pelas imagens, eram realmente lindas e grandes, ocupando toda a página. As falas pequenas e minimalistas formavam como que uma poesia a cada folhear. Lembro que fiquei encantada com ele, eu poderia ficar simplesmente olhando aquelas páginas por longos minutos. Sem contar na simplicidade da história, me cativava. Até hoje, quando pego ele no fundo da gaveta, quero abrir para viver de novo essa sensação de contemplação.

 

Gerusa Rodrigues Pinto, O Mistério da Floresta
Esse era um daqueles livros que me prendia completamente. Lembro da sensação de urgência em descobrir o incrível mistério que o livro contava. Em cada fala da minha mãe, meu coração pulava. Se forçar bem na memória, posso sentir ainda minha reação ao chegar no fim da história, sem acreditar, me perguntando como não tinha pensado naquilo antes! Quando aprendi a ler, reli ele muitas vezes só para ver se descobria pistas novas do mistério ao longo do texto.

 

Antoine De Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe
Um dos livros mais complexos que li! Confesso que o reli faz pouco tempo, a uns dois anos atrás e talvez o releia ainda muitas vezes ao longo da vida. O que senti por ele não foi fascínio ou paixão, lembro que achei o livro no máximo interessante (e continuo pensando assim, hoje até me questionando sobre sua fama de “especial”). No entanto, o que mais me surpreendeu nele foi a maneira simples como descortinava a vida, como era profundo, cheio de sentimentos reais. E, como uma boa amante da subjetividade, me debruço sobre ele sempre que  preciso me encontrar.

 

 

Elizabeth Rudnick, A Bela e a Fera
Foi amor à primeira vista. O mais engraçado desse amor é que me identifiquei com a Fera e não com a Bela. Lembro que ao terminar o livro fiquei me sentindo representada. Tive muitos problemas de auto estima na infância (e depois na adolescência). Então, quando vi a Bela se apaixonando pela Fera, simplesmente pelo que ele era, pensei: “alguém também vai me amar um dia”. Hoje, olhando a história de um outro ponto, vejo que a Bela era a representação de um feminismo que eu já amava sem saber. Ela era livre, adorava livros e amou muito, sem medo e sem padrões. Isso me fascinou e fascina até hoje. Agora, me identifico com a Bela, a minha própria Fera já superei.

 

 

Hans Christian Andersen, O Patinho Feio
Outro livro da coleção “uma infância sem auto estima”. Lembro que senti muita vontade de chorar lendo esse livro, porque em cada fala da história me via no patinho que não se encaixava em sua família. Me senti assim por muito tempo em quase todos os ambientes que eu frequentava e hoje percebo que sigo a sina daqueles que pensam demais. Sim! Nasci com um olhar muito profundo sobre a vida e isso nos afasta um pouco dos outros. A diferença é que hoje sei onde canalizar toda essa sensibilidade e fazer dela meu trabalho, minha essência. Assim, o Patinho feio já me fez trabalhar o autoconhecimento aos 10 anos de idade!!