A PESSOA ERRADA

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Não existe fórmula para o amor!

Depois de anos de espera, de longas listas das “10 coisas mais importantes sobre relacionamentos que você precisa saber”, depois de observar todos os outros casais e seus detalhes, depois de tantas idas e vindas e tantos “agora vai, é esse”, o amor chegou para mim.

Chegou tão discreto que nem parecia amor. Parecia sorte. E era!

Foi um amor escolhido a dedo, pensado nas insignificâncias e vivido cada pedacinho.

E eu… descobri que sou a pessoa errada nessa história! Assim, de súbito!

Não sei se foi o susto do sossego que ele trouxe de repente. Acho que foi isso mesmo.

Imaginamos o amor com o rosto da paixão e no fundo ele vem é com cara própria mesmo. Sem muitas delongas ou muitas frescuras de bom convidado. E, toda essa verdade é assustadora. É devastadora para as almas solitárias e sonhadoras. Quando o sonho é real demais, às vezes, insistimos em continuar dormindo.

Sou a pessoa errada! Fato! Fato… amplamente mutável.

No quesito relacionamento, costumamos rotular as pessoas em dois grupos: as pessoas certas e as pessoas erradas. As “pessoas certas” nasceram para a coisa. Elas são plenas, felizes, resolvem os problemas amorosos com desenvoltura e elegância, são autoconfiantes, agregadoras e todos conseguem perceber que elas “nasceram para casar”. Já outras, são desconfiadas por natureza, um pouco ignorante às vezes, escolhem suas relações baseadas em carências (mesmo que não assumam isso), tem medo de se comprometer e construir planos futuros e todos conseguem perceber que eles nasceram para “curtir a vida” e não “se amarrar em alguém”. 

O fato é que todos nós somos apenas pessoas. Somos na verdade a soma entre a “pessoa certa” e a “pessoa errada” e alternamos entre elas a medida que mudamos nosso comportamento através do humor, da própria relação, do nosso nível de maturidade em determinados assuntos e, principalmente, a partir da proporção do amor que sentimos pelo outro. O relacionamento ideal não existe, da mesma forma que não existem pessoas ideais. Existem pessoas que erram e acertam, que ora desistem e ora vão em frente. Pessoas que querem desesperadamente amar.

Assim, entendi que como uma boa “pessoa” que sou, não ligo muito para dizer que quero ouvir sua voz, não mando mensagens de cobrança, não digo o mesmo sobre os sentimentos na maioria das vezes, não aguento a rotina, me irrito com facilidade, brigo por bobeiras – que não são bobeiras para mim –, não faço muitas surpresas e nem compro muitos presentes. Mas, entre todos esses meus poréns, tenho em mim um amor enorme demonstrado no dia a dia e disposto a mover o mundo, a transformá-lo, a reinventar o relacionamento quantas vezes for preciso. E tudo isso só para vê-lo feliz!

Sou a pessoa errada que talvez ame da maneira certa!

O ELEFANTE DA CULPA

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É preciso aceitar o erro e seguir evoluindo!

Alguns dias atrás eu saí do trabalho e fui direto para a academia. Um caminho que faço sempre, no automático. Como tenho malhado mais perto de casa, as ruas são mais desertas, tem basicamente casas; os comércios são apenas na rua principal. Entrei com meu carro, joguei ele para o canto da rua e parei, me esquecendo completamente de “dar a seta”, já que nunca encontrava outro carro por lá.

Porém, nesse dia havia um carro atrás de mim, que freou bem em cima, quase batendo. Sabe quando falta um palmo? Depois do susto o homem seguiu a rua; educadíssimo ele não me xingou e nem buzinou, apenas saiu me olhando com desdém e ódio, com toda a razão, é claro! 

Depois desse momento, enquanto malhava, comei a pensar no quanto eu realmente estava errada e no dinheiro que eu iria perder se o outro carro batesse em mim. O pensamento ficou ali ruminando e o olhar forte do homem me perseguia. Quando percebi que eu estava começando a me culpar dei dois passos atrás e entendi que era a hora de reorganizar minha mente. Era o momento de aceitar o erro e seguir evoluindo.

Na maioria das vezes o peso dos nossos erros nos impedem de ver a vida com a leveza que ela merece e emana. O fardo de viver pode tornar-se um grande elefante pendurado nas costas. O elefante, porém, não está sempre lá. A cada pequeno erro, a cada rotina desviada, a cada plano e sonhos frustrados, a cada culpa interiorizada, vamos lá, pegamos o elefante no bolso e colocamos nas costas.

Nosso querido elefante é um companheiro inseparável. Alguns, com o passar dos anos, começam inclusive a carregá-los nos braços. Nessa fase, é impossível usar as mãos para alcançar desejos maiores, o elefante da culpa não deixa. Está sempre pronto para te lembrar dos seus erros e ressentimentos.

O elefante da culpa pode ter sido um presente dos seus pais, do seu namorado ou namorada, de um amigo, pode vir de uma doutrina religiosa opressora demais, de uma noção distorcida de autoestima e amor próprio ou você mesmo pode ter comprado ele quando decidiu fazer o papel de vítima da vida. O fato é que esse elefante precisa morrer para que você possa enfim crescer. Não importa a maneira que você irá matá-lo; pode ser envenenado lentamente no dia a dia ou com um tiro certeiro a queima roupa. Você precisa dar um fim nele!

Matá-lo significa que você agora vai perceber seus erros, corrigi-los, aceitá-los e seguir em frente. Afinal, é para a frente que se anda.

Naquele dia da academia eu apenas removi o corpo. Quando percebi que ele não me incomodava  entendi que na verdade ele já estava morto em mim!


Na imagem, a escultura “Pentateuque” do artista francês Fabien Merelle. O mais engraçado é que só achei essa imagem perfeita depois de escrever o texto!